Muitas pessoas acreditam que a causa de doenças como o vitiligo e o lúpus tem um fundo emocional. Para estes casos, parte do tratamento deveria ser feito por um psicólogo?
O vitiligo e o lúpus são condições crônicas que acometem a pele, e que têm em comum o fato de serem consideradas doenças auto-imunes. As doenças auto-imunes são representadas por um grande número de desordens, a maior parte delas de causa desconhecida, em que as defesas e os anticorpos de um organismo atacam e destroem células do próprio indivíduo.
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No vitiligo, por exemplo, ocorre destruição dos melanócitos, que são as células responsáveis pela produção da melanina, o pigmento que dá cor à pele. Com isso, surgem as manchas brancas características da doença.
A causa exata e os mecanismos que levam à formação destes anticorpos ainda são desconhecidos, mas observa-se com freqüência que fatores emocionais podem atuar como gatilho (desencadeando o aparecimento da doença), ou como fator agravante, provocando períodos de piora do quadro. Outros fatores também importantes que atuam nestas doenças incluem, por exemplo, a exposição ao sol no caso do lúpus e traumas físicos e ferimentos, que podem desencadear manchas de vitiligo.
Além disso, estes pacientes apresentam com freqüência lesões em áreas visíveis do corpo, o que pode levar a uma baixa auto-estima e ao sofrimento de preconceito por parte de outras pessoas.
Assim, o acompanhamento psicológico é importante, pois pode proporcionar benefícios a estes pacientes, seja no sentido de auxiliá-los no controle de suas reações diante de situações de estresse emocional, seja no aprendizado para lidar com as dificuldades e limitações sociais impostas pela doença, ou ainda para entender e aceitar melhor o tratamento indicado pelo médico.
Airton dos Santos Gon, dermatologista