Diferente do que muitos adultos possam pensar, ter um amigo imaginário na infância não é necessariamente um problema. Pelo contrário, pode até trazer benefícios, tanto para a criança quanto para seus cuidadores.
Para a criança, pode ajudar a desenvolver a criatividade; auxiliar na organização do raciocínio e até favorecer a socialização, já que com este amigo ela pode aprender ou aprimorar comportamentos que serão vantajosos no estabelecimento de interações sociais com pessoas reais, como apresentar-se a estranhos, cumprimentar, iniciar e manter conversações, falar sobre seus pensamentos e sentimentos, entre outros.
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Pode ainda auxiliar no processo de autoconhecimento da criança, pois esta interage com o amigo imaginário de maneira muito similar a que ela se comportaria com pessoas reais. De maneira geral, a criança reproduz com o amigo imaginário as situações vivenciadas pela mesma: o que ela ouve, vê ou sente, tendo os pais, vizinhos, desenhos animados, entre outros, como modelo destes comportamentos. Sendo assim, isto pode dar dicas importantes para o adulto sobre as interações que esta criança estabelece com outras pessoas em situações em que os cuidadores não estão presentes.
Os pais devem se preocupar quando o amigo imaginário passa a restringir o convívio social desta criança com outras da sua idade, ou quando a criança relata que o amigo pede que ela faça coisas prejudiciais a si ou a outros. Fora isto, conversar e brincar com um amigo imaginário é um comportamento comum em crianças e é esperado que com o tempo e a devida exposição a situações variadas, a criança fique sensível a outras pessoas e ocasiões e, dessa forma, diminua o contato com este amigo. Por esta razão, é aconselhável que pais e professores não se preocupem precocemente com relação ao amigo imaginário, mas antes, observem e avaliem o impacto desta fantasia na vida da criança.
Annie Wielewicki, psicóloga (Londrina)