Placebo é qualquer tratamento que não tem ação específica nos sintomas ou doenças do paciente, mas que, de qualquer forma, pode causar um efeito no paciente. Um placebo é uma substância inerte, ou cirurgia ou terapia ''de mentira'', usada como controle em uma experiência, ou dada a um paciente pelo seu possível ou provável efeito benéfico. O porquê de uma substância inerte - assim chamada ''pílula de açúcar'', ou falsa cirurgia ou terapia - surtir efeito não está completamente esclarecido.
A explicação psicológica parece ser aquela em que as pessoas mais acreditam. Talvez seja por isso que muitos fiquem consternados quando são informados de que a droga que estão tomando é um placebo. Isso faz a pessoa pensar que o problema está ''todo em sua cabeça'' e que não há nada realmente errado com ela. Existem estudos que descobriram melhoras objetivas na saúde de pacientes com o uso de placebos, para apoiar a noção de que o efeito placebo é inteiramente psicológico.
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As mudanças físicas, obviamente, não são causadas pela substância inerte em si. Então qual é o mecanismo que explicaria o efeito placebo? Alguns pensam que é o processo de administrá-lo. Acredita-se que o toque, o cuidado, a atenção e outras comunicações interpessoais, que fazem parte do processo do estudo controlado, além do encorajamento dado pelo experimentador/terapeuta, afetam o humor da pessoa testada, que por sua vez, dispara mudanças físicas, como a liberação de endorfinas.
O processo reduz o estresse por dar esperanças, ou diminuir a incerteza, sobre que tratamento adotar ou qual será o resultado. A redução do estresse previne ou desacelera a ocorrência de futuras mudanças físicas prejudiciais.
Se o efeito placebo é principalmente psicológico, ou cura espontânea mal interpretada, ou ocorre devido a um processo caracterizado por demonstrações de cuidado e atenção, ou melhor, a combinação dos três, pode não ser conhecido com completa confiança. Mas não há dúvidas sobre o poderoso efeito do placebo.
Flávio Henrique Bobroff da Rocha, neurologista