Embora bastante válidas para a psicanálise, as expressões ''psicose'' e ''neurose'' vêm tendendo a cair em desuso no âmbito da psiquiatria. Mesmo assim, a Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, em sua 10 edição (CID-10), manteve o termo ''psicótico'' para descrever transtornos nos quais estão presentes sintomas como alucinações (visuais, auditivas), delírios e várias anormalidades de comportamento (como excitação e hiperatividade grosseiras, retardo psicomotor acentuado, catatonia). São, portanto, sintomas de razoável severidade e potencialmente incapacitantes para o paciente não tratado.
Não se trata, portanto, ''da'' psicose, como pergunta o leitor, mas ''das'' psicoses, uma vez que o termo refere-se a um conjunto, não a uma única enfermidade. Entre as psicoses citam-se, por exemplo, a esquizofrenia (que pode apresentar-se em variadas modalidades - paranóide, catatônica, etc.), outros transtornos delirantes (agudos ou transitórios) e os transtornos esquizoafetivos.
Já as variações da antiga ''psicose maníaco-depressiva'' hoje se encontram distribuídas na CID-10 entre os vários subtipos de Transtorno Bipolar e pertencem à categoria dos Transtornos do Humor. Note-se, porém, que ao agrupar várias modalidades de sintomas que vão da depressão profunda à euforia maníaca, entretanto, as modernas classificações tendem a borrar as distinções qualitativas entre as enfermidades mentais, obscurecendo sua compreensão psicodinâmica, e tornando-se assim criticáveis do ponto de vista psicanalítico.
Quanto ao tratamento, é o diagnóstico preciso (nem sempre fácil) que idealmente antecederá a terapêutica adequada. Esta, de acordo com a qualidade e severidade dos sintomas e da avaliação individual do paciente, em geral deverá incluir a medicação (psicofármacos) e a psicoterapia.
Casos mais severos, com risco social e/ou pessoal iminente, podem exigir uma primeira etapa emergencial de internação institucional. A participação dos familiares do paciente no tratamento é também importante para aumentar suas chances de recuperação.
Marcelo J. Castro, psicanalista