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Por que perdemos a memória? Especialista responde

Redação Bonde*
20 jul 2016 às 09:27

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Reprodução
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Hoje em dia as queixas referentes aos problemas de memória têm crescido muito. Mas as pessoas precisam ficar atentas para a diferença entre falta de atenção e a perda de memória. A falta de atenção ocorre quando a informação não é armazenada, não "entra na memória". Já a perda de memória acontece quando a informação é "perdida", como o esquecimento do nome de parentes, por exemplo. O estresse e a depressão são fatores que influenciam muitas vezes na falta de atenção. A alimentação e a prática de exercícios também são importantes para manter a memória em dia.

E se a perda de memória ocorrer por causa de um trauma? Como um acidente de carro. Acidentes de trânsito podem causar perda de memória e nada garante que, com o passar do tempo, a vítima irá se recordar ou ter alguma lembrança do que aconteceu.

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Esse tipo de perda de memória se chama amnésia traumática e é ocasionada pela desaceleração no momento da colisão que faz com que o cérebro seja jogado violentamente para frente e para trás e se choque com a parte óssea da cabeça. Quando isso acontece, a pessoa pode sofrer alterações na coordenação motora, na fala e até no nível de consciência.


Além disso, tem o efeito psicoemocional, no qual o cérebro, por meio de um mecanismo de defesa, bloqueia as lembranças relacionadas ao trauma.


A hipertensão, o colesterol alto, o tabagismo e o álcool também são fatores de risco para a perda da memória, pois todos começam a acelerar o processo de envelhecimento das artérias. O processo começa com a obstrução nas micro artérias, ocasionando perda de sangue em regiões do cérebro, causando pequenas isquemias e assim os neurônios ficam sem nutrientes e morrem. Por isso é importante praticar atividade física que ajuda a diminuir os fatores de risco, promove maior vascularização cerebral e assim aumentar a ação dos neurotransmissores.
Um fator muito importante é a qualidade do sono. Ter um sono completo com todas as fases ajuda a memória. A fase REM aumenta a atividade cerebral, o que é essencial para a codificação de informações úteis. O sono é um recuperador de energias. Ele ajuda a levar mais energia para os neurônios, promovendo as sinapses.


O cérebro tem proteínas que se ligam aos neurônios e quando acontece a diminuição das sinapses (que é a ligação entre os neurônios), acontece a perda de memória, que é uma limitação na comunicação entre os neurônios. A falta de sinapse faz com que os neurônios fiquem sem energia e comecem a morrer.


Não existe remédio para reverter à perda de memória. Hoje os medicamentos servem para tentar evitar a piora da morte dos neurônios. As medicações estimulam os neurotransmissores no cérebro. E ao contrário do que muita gente pensa, o café não prejudica a memória. Estudos comprovaram que a cafeína tem eficácia na "fixação" da memória. Agora os estudos estão voltados para interpretar como a cafeína atua em cada parte da memória, uma delas é o hipocampo.


Uma atividade que ajuda a memória são os jogos que além de exercitar o cérebro, proporciona divertimento e descontração. Eles ajudam na melhora da coordenação motora, no relaxamento, na agilidade, no raciocínio lógico e até em um melhor convívio social.


O quebra-cabeça, por exemplo, junta em um só jogo cor, forma, lugar e objeto. Os jogos de tabuleiro são uma ginástica para o cérebro já que é preciso coordenar diversas informações ao jogar. Já os jogos em equipe melhoram a coordenação motora e a agilidade e não podemos esquecer das palavras cruzadas, que exercitam a memória e a atenção.


Em resumo, a perda de memória/amnésia pode ocorrer por: trauma - quando ocorre uma lesão direta em uma região chamada lobos temporais; alcoolismo - causa amnésia por lesão direta do álcool e por carência de vitamina B1; amnésia global transitória – doença de causa desconhecida, quando o paciente para de fixar novas memórias; doenças degenerativas como o Alzheimer e causas psicológicas – após estresse intenso o paciente pode esquecer parte de suas memórias ou mesmo todas elas. Mas geralmente é um quadro transitório.

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O melhor a fazer para manter a memória em dia é praticar atividade física, ter uma alimentação saudável, dormir bem e o principal, exercitar a memória. E se observar qualquer alteração procurar um médico. (*Por André Gustavo Lima, neurologista, especialista em prevenção de AVC , membro da Academia Brasileira de Neurologia e diretor da clínica NeuroVida Cuidados Médicos).


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