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Por que a masturbação feminina continua um tabu?

Redação Bonde
01 dez 2015 às 14:39

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O termo "klittra" não aparece em nenhum dicionário, mas na Suécia seu significado já é amplamente conhecido. Fusão das palavras "clitóris" e "glitter", o neologismo foi criado para designar a masturbação feminina.

O termo foi escolhido entre 200 sugestões recebidas pela Associação Sueca para a Educação Sexual (RFSU, na sigla em sueco) que, em junho, lançou uma campanha para inventar um novo nome para a autoestimulação genital feminina.

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"Nos países do norte da Europa, a atitude quanto ao sexo é bastante liberal", explicou Hedvig Nathorst-Böös, membro da instituição, à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.



"Mas essa atitude é sempre mais liberal com homens do que com as mulheres", acrescentou em seguida. "Por isso lançamos a campanha, para promover a igualdade entre os gêneros."


Tabu
Não é só no norte da Europa que os homens têm maior liberdade para falar sobre sexo.
Desde a adolescência eles falam com os amigos sobre quanto e como se masturbam. Enquanto isso, o assunto ainda permanece um tabu entre as mulheres, inclusive durante a vida adulta – e até mesmo em países mais liberais.


Na internet, os resultados de pesquisas sobre masturbação feminina são, em sua maioria, pornográficos. Enquanto isso, os relacionadas à prática masculina tendem a ser mais informativos.


Os poucos estudos científicos que existem sobre o assunto também refletem essa disparidade.
Apesar de nenhum deles ter abrangência global, há um consenso de que as mulheres não se masturbam tanto quanto os homens ─ ou admitem recorrer menos à prática sexual.


Segundo um relatório da educadora sexual americana Debby Herbenick, 44% dos homens se masturbavam duas ou três vezes por semana. Entre as mulheres, essa proporção era de apenas 13%.


Já um estudo espanhol, realizado em 2009, indicou que era muito maior a parcela dos homens que dizia ter se masturbado no mês anterior à pesquisa do que a de mulheres (46,9% deles contra 4% delas). Esses resultados, no entanto, não são totalmente confiáveis, alertam especialistas entrevistados pela BBC.


"Quando o assunto é sexualidade, é sempre difícil calibrar as estatísticas, dados ou publicações que falam sobre comportamentos, modos ou usos", disse a sexóloga Loren Berdún. "A sexualidade é uma coisa tão íntima que não somos 100% honestos ao falar sobre o que gostamos ou não, o que fazemos ou não", explicou.


Ainda assim, os especialistas reconhecem que a masturbação é encarada de forma diferente entre homens e mulheres, em qualquer sociedade. "A nível mundial, nós, mulheres, sempre tivemos a masturbação como uma tarefa pendente", disse Luz Jaimes, sexóloga e secretária da Federação Latinoamericana de Sociedades de Sexologia e Educação Sexual.


No Ocidente, a situação é variada, mas em geral "ainda existem profundas desigualdades de gênero", assinala a sexóloga venezuelana Michela Guarante. "Embora os direitos sexuais da mulher tenham se ampliado, ainda há muita gente – homens e mulheres – que tem uma visão machista sobre o prazer feminino. Não raro, usam adjetivos depreciativos para caracterizá-lo", acrescentou Luz.


Dogmas
Na avaliação da sexóloga, normas culturais e religiosas "não permitem que as mulheres desfrutem de sua sexualidade na plenitude".


"Nascemos com o corpo organizado para sentir, há funções específicas que são ativadas no momento de receber um estímulo agradável (...), mas as normas culturais e religiosas não permitem que as mulheres desfrutem de sua sexualidade na plenitude."


Como resultado, "a educação sexual que as mulheres recebem é pobre ou limitada em comparação com a do homem", concluiu. O papel da religião também foi lembrado pelos especialistas ouvidos pela BBC.


Ainda que a Bíblia não mencione a masturbação, durante séculos as autoridades de diversas igrejas cristãs trataram o tema como proibido. Desde a Idade Média multiplicam-se textos religiosos e pseudomédicos que se referem a uma "doença pós-masturbatória", especialmente prejudicial às mulheres.


"Por terem o sistema nervoso mais fraco e com uma maior inclinação natural por espasmos, os problemas são mais violentos", escreveu o neurologista francês Samuel Tissot, em 1760. Masturbação e proibição são dois termos que também estão associados no Islã.


"O Corão proíbe a masturbação para homens e mulheres", diz à BBC Mundo Rehan Aslam, do Sakoon Councelling, serviço de aconselhamento islâmico do Reino Unido.

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Mas Heba Kotb, sexóloga muçulmana que apresenta um programa de TV no Egito, discorda. "A masturbação não é totalmente haram (proibido) ou halal (permitido) no Corão, mas fica a critério do fiel", diz.
(com informações do site BBC)


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