São duas as formas mais comuns de gastrite - que significa processo inflamatório da mucosa (parede interna) do estômago. Uma é a gastrite crônica, caracterizada por uma modificação que muitas vezes é somente discreta (leve granulosidade da mucosa) ou mesmo microscópica, sem relação direta com sintomas (dor ou queimação, em geral). Neste caso, tem como causa a presença de uma bactéria, chamada Helicobacter pylori.
Embora muitos médicos optem pela sua eliminação com antibióticos, esta medida não encontra respaldo na literatura, pois muitas vezes os sintomas de má digestão não têm a ver com sua presença.
Já a outra forma mais comum de gastrite é aquela chamada de aguda, na qual o achado da endoscopia é a presença de erosões (microulcerações), semelhantes às aftas bucais, situação em que o contato direto do ácido produzido pelo estômago com as lesões pode provocar sintomas dolorosos. (Comparando: se você aplicar álcool sobre a pele íntegra, nada sentirá; se a pele tiver algum ferimento, você perceberá ardência).
O álcool, assim como fatores como o estresse e o uso de medicamentos - principalmente antiinflamatórios - podem desencadear tais lesões. Neste caso, a redução do seu uso poderá trazer benefícios.
Devemos lembrar que costumam ser companheiros das bebidas alcoólicas os famosos petiscos, muitas vezes gordurosos, e as refeições abundantes, como os churrascos. Neste caso, a moderação alimentar costuma ser tão benéfica quanto a do álcool.
Roberto Menoli, gastroenterologista