Glaucoma é uma doença ocular que muitas vezes evolui sem sintomas alarmantes, desses que chamam a atenção imediatamente para outros exames e tratamentos.
Algumas vezes se manifesta apenas por certos tipos de dores de cabeça, leves ou intensas, sem manifestações no globo ocular. Dores de cabeça que podem levar algum clínico a interpretar como sinusite, enxaqueca ou outras manifestações de ordem neurológica, enquanto que a pressão sobre a papila óptica, no fundo do olho, e sobre a circulação sanguínea da retina conduz para a diminuição da visão, sugerindo a correção pelo uso de lentes corretoras.
O tipo de glaucoma chamado crônico simples pode não se manifestar sem dores e vai ser detectado pelo oftalmologista que rotineiramente procede à medida da pressão ocular, surpreendendo as pequenas variações.
Ao clínico geral está a grande responsabilidade de pensar na possibilidade do glaucoma nos casos de pequenas cefaléias e dores de cabeça ou perturbações incipientes de visão, sintomas que muitas vezes sugerem apenas o uso de colírios inespecíficos.
Há certo tipo de glaucoma que imediatamente chama a atenção para o globo ocular, pela irritabilidade, além de dor, com perturbação da visão. Quando os sintomas não alarmam, fazendo com que a atenção e as explicações de pessoas leigas levem em conta o excesso de trabalho ou noites mal dormidas, isso pode propiciar o perigo do agravamento do processo.
Também, a medida do campo visual, a chamada perimetria e a campimetria, pode, com a medida da pressão intra-ocular, evidenciar o glaucoma. Não existe idade própria para o aparecimento da doença. Pode ocorrer em crianças e mesmo em recém-nascidos.
Se o glaucoma é hereditário ou não, parece que há alguma tendência familiar, embora não seja obrigatória a presença da doença entre herdeiros. Mas se recomenda, em caso de doença na família, que, sem neuroses, se fique na expectativa com os filhos.
*Fahed Daher, oftalmologista