O fenômeno de dificuldade para manter ou atingir o peso ideal durante períodos de forte estresse é comum na população, embora não seja unanimidade. Também é comum vermos aqueles que emagrecem enquanto passam por períodos mais atribulados.
Algumas causas simples podem estar relacionadas como os responsáveis pelo ganho de peso. Pessoas sob estresse tendem a modificar seus hábitos de vida, em geral aumentando a quantidade de comida ingerida tanto em cada refeição quanto na forma de beliscos entre as refeições ou em picos de ansiedade. A qualidade do alimento ingerido cai, com refeições completas e balanceadas sendo substituída por doces, salgadinhos e guloseimas, quase todos muito calóricos e de baixo valor nutritivo.
Também as refeições principais deixam de ser preparadas em casa, sendo substituídas por alimentos como congelados, pizzas e lanches de altíssimo valor calórico, com a justificativa da falta de tempo. Outra consequência muito comum da falta de tempo é o abandono das atividades físicas e esportes, um fator de risco para a obesidade.
Além destas modificações no estilo de vida, existem outras hipóteses que tentam explicar o ganho de peso pelo estresse. Uma delas é de que um hormônio chamado cortisol, secretado por nosso corpo em situações de estresse físico ou emocional, pode levar ao ganho de peso. Isso pode ser verdade em situações de exposição a níveis muito altos de cortisol e por longos períodos, como em alguns tumores raros ou no uso prolongado de corticóides, por exemplo.
Entretanto, o estresse emocional em geral leva a aumentos relativamente leves e temporários nos níveis de cortisol, portanto insuficientes para levar ao ganho significante de peso. Na prática, este efeito, mesmo se verdadeiro, tende a ter impacto muito pequeno sobre o peso da pessoa. O melhor modo de controlar o peso em períodos de estresse ainda é a união de bons hábitos alimentares com a prática regular de exercícios físicos.
Guilherme F. Marquezine, médico endocrinologista