Existem estudos mostrando a transmissão hereditária do câncer de próstata em determinadas famílias. Sabe-se que homens com um parente de primeiro grau (pai, irmão) afetado pelo câncer têm o dobro de chance de desenvolver a doença, em comparação com a população normal. Indivíduos com dois parentes de primeiro grau afetados têm uma chance cinco vezes maior de apresentar o câncer, e os que têm três parentes de primeiro grau acometidos aumentam sua chance em 11 vezes.
Por isso, é necessário fazer a vigilância e a realização dos exames preventivos periódicos. Na população masculina, em geral, recomenda-se iniciar estes exames aos 45 anos. Naqueles com história familiar positiva os exames devem ser feitos a partir dos 40 anos, anualmente.
Quanto a influência da dieta, vários fatores já foram estudados. Enumerarei os principais a seguir:
– Gordura: estudos em animais demonstraram que a ingestão de dieta rica em gordura estimula o crescimento das células tumorais na próstata, enquanto uma dieta sem gordura reduz a proliferação destas células; em humanos, alguns trabalhos conseguiram correlacionar uma dieta hipergordurosa com o aumento da incidência deste câncer.
– Licopeno: esta é uma substância da classe dos carotenóides, um potente antioxidante presente em grandes quantidades no tomate; trabalho realizado com 14 mil homens, que consumiam regularmente suco de tomate, demonstrou uma redução de 35% na incidência do câncer de próstata. É importante ressaltar que o cozimento do tomate reduz a disponibilidade do licopeno, diminuindo o efeito protetor.
– Selênio: metal presente em quantidades ínfimas no corpo humano, porém necessário para manter a saúde; estudos realizados para correlacionar a ingestão de selênio com a diminuição do câncer de pele não foram satisfatórios, porém, observou-se uma redução nos casos de câncer de próstata nos pacientes estudados.
– Vitamina E: conhecida como tocoferol, ela é um potente antioxidante, protegendo as membranas celulares dos radicais livres; alguns trabalhos comparando a suplementação de vitamina E com indivíduos que ingeriram placebo (medicamento sem efeito), demonstraram diminuição da incidência de câncer de próstata.
É importante ressaltar que existem inúmeras pesquisas sobre o assunto, porém ainda são necessários estudos mais abrangentes para que se possa recomendar a suplementação ou redução de determinada substância na dieta, a fim de prevenir o câncer de próstata. Até lá, o mais prudente a se fazer é realizar periodicamente os exames preventivos.
Juliano Plastina, urologista