O uso de medicamentos deve ser feito com muita responsabilidade, pois não se sabe quais são os efeitos colaterais deles a longo prazo.
As autoridades americanas estão cada vez mais preocupadas com o uso de medicações pelas crianças. Muitos desses medicamentos não são para tratar infecções e alergias, mas sim para diminuir a agressividade da criança, para que ela fique mais comportada na escola e preste mais atenção na aula ou até mesmo para que durma. São medicamentos de uso psiquiátrico adulto para tratamento de distúrbios do humor ou disfunções neurais. Texto publicado na Folha de S.Paulo relata que entre 2001 e 2005 o uso desses medicamentos cresceu em 73% nos EUA.
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Sabemos que a realidade brasileira não é diferente da americana, quando cada vez mais atendemos em nossos consultórios crianças em uso de medicações por serem ''hiperativas''. Muitas vezes essas medicações são receitadas por médicos não habilitados a fazer o diagnóstico correto dessa entidade, muitas vezes confundida apenas com falta de limites.
No mundo atual, onde tudo ''era para ontem'', essa urgência vem sendo transferida para nossas crianças. E a falta de tempo para dedicarmos aos filhos é compensada com excesso de presentes e a não repreensão por seus erros, pois o tempo para dedicar a eles é pequeno e o sentimento de culpa é grande.
Com isso criam-se cada vez mais jovens com distúrbios de conduta, sem noção de certo ou errado e noções simples de moral. Apesar dos tempos terem mudado e hoje cada vez mais ser valorizado o relacionamento pautado na igualdade e não no autoritarismo de antigamente, não se deve esquecer que crianças necessitam de rotina e ordens, pois só assim vão aprender noções de respeito e como conviver em sociedade.
É muito mais fácil dar um remédio para controlar o filho do que colocá-lo de castigo ou contrariá-lo. Mas todos os medicamentos têm efeitos colaterais e não se sabe o efeito deles a longo prazo, começando numa idade tão precoce e com associação de tantas medicações. Existem casos que realmente necessitam de tratamento especializado, mas este deve ser indicado por um médico especialista após a correta avaliação da criança.
Gina B. Schiavon, pediatra