O alcoolismo é uma doença crônica de curso insidioso ou lento, que acomete grande parte da população mundial, e pode levar à deterioração mental, física e social. Nas fases iniciais é difícil ser feito o diagnóstico, já que acreditamos existir o beber social, que hoje pode ser considerado até saudável.
A história de um alcoolista é geralmente a de uma pessoa que foi aumentando ao longo do tempo a quantidade e a frequência da ingestão de álcool, passando a desenvolver tolerância pela bebida alcoólica, o que quer dizer que necessita de doses cada vez maiores da droga para obter os mesmos efeitos anteriores.
Isso ocorre porque o organismo tenta se defender de substâncias tóxicas que entram, provocando proliferação de enzimas do fígado que metabolizam o álcool, e dessa forma inativando mais rapidamente a droga circulante. O álcool é usado principalmente pela sensação de desinibição, diminuição da auto-censura e relaxamento que provoca, tornando as pessoas mais sociáveis e mais corajosas para enfrentar situações, mas pode também servir como fuga da realidade ou alívio de um sofrimento psíquico.
Nestes casos seria uma tentativa do indivíduo tratar-se sem passar por consulta médica ou sem precisar de uma receita com o psicotrópico aceito legalmente pela sociedade. Portanto, muitos transtornos psíquicos estão mascarados em pessoas que se auto ''medicam'' com álcool.
No entanto, a evolução da doença é marcada por perdas progressivas com vários problemas clínicos como gastrite, cirrose hepática, pancreatite, deficiências nutricionais e vitamínicas, deterioração mental com perda de consciência e amnésia, comportamento violento e de risco e síndrome de abstinência com tremores, delírios paranóides (de perseguição), alucinações, principalmente visuais, e convulsões.
Geralmente progride para desadaptações no trabalho, família e sociedade. Quando vemos um alcoolista maltrapilho errante, não pensamos que aquela pessoa teve família, bens e potencial para uma vida com dignidade. O alcoolismo incide mais sobre o sexo masculino, mas tem aumentado nas mulheres, principalmente depois da inserção destas no mercado de trabalho. Aparece também em mulheres mais maduras, que passaram por perdas ou condições psicoafetivas desfavoráveis.
O tratamento envolve a desintoxicação e a reabilitação do indivíduo, sendo o primeiro geralmente em regime de internação, e a seguir com profissionais de saúde mental, junto à família e serviços especializados em alcoolismo.
Luiz Paulo Garcia, psiquiatra