O que temos que ter primeiro em mente é que o bebê não é uma pessoa em miniatura. Ele é um indivíduo em desenvolvimento, que um dia irá se tornar um adulto. Deste modo, as necessidades das crianças são diferentes das nossas, e em cada fase se fazem necessários certos estímulos para o devido crescimento tanto do corpo quanto da mente.
Pensando assim, quando utilizamos o andador em uma criança normal, apesar de à primeira vista parecer que estamos ajudando o bebê, na verdade estamos atrapalhando o seu aprendizado natural. Pois para sabermos andar, temos que passar por todas as fases: primeiro temos de firmar a cabeça, depois a coluna, aprender a sentar, engatinhar e somente no final andar. E ainda mesmo assim após várias quedas e choros.
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Quando pulamos fases, deixamos de aprender algo que no futuro nos fará falta, além de realizar estímulos diferentes dos necessários para o desenvolvimento normal neuropsicomotor.
Da mesma maneira, quando levamos a questão para os calçados, os apropriados para as crianças são aqueles mais flexíveis, que favoreçam a percepção e o desenvolvimento dos pezinhos. É normal os bebês terem esta flexibilidade e por isso mesmo os pés serem ou parecerem chatos até certa idade. O que não devemos fazer é superproteger ou sobretratar a criança, pois muitas vezes estamos fazendo mais mal do que bem, independentemente da boa intenção de toda a família.
Marcelo Cinagava, ortopedista especialista em quadril e ortopedia pediátrica