Comportamento

Cecília desbanca Helena e lidera os nomes registrados em Londrina em 2025

08 jan 2026 às 11:00


Mantendo sua hegemonia, o nome Helena se consolidou como o mais registrado no Brasil pelo segundo ano consecutivo, com pouco mais de 30 mil registros em 2025. Londrina não seguiu a tendência nacional e paranaense por pouco, com 121 Cecílias desbancando 120 Helenas após o levantamento baseado no Portal da Transparência do Registro Civil ser atualizado em 30 de dezembro. As listas foram elaboradas pela Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), que representa os cartórios de registro civil do país.


Nacionalmente, o nome Cecília integra o top 5 na última posição, com 21.676 registros. No Paraná, sobe para o segundo lugar, com 1.934 bebês nascidas entre janeiro e dezembro do ano passado, atrás de 2.306 Helenas. A denominação clássica, associada à música, arte, espiritualidade e sabedoria, vem ganhando espaço localmente nos últimos anos, sendo que sequer figurou nas listas dos 50 nomes mais registrados em Londrina de 2015 - primeiro ano em que consta um levantamento no Portal - a 2018.


Confira a colocação e o número de registros a partir da primeira inserção computada pelo site, em 2019:


2019 - 43º lugar (16)

2020 - 11º lugar (60)

2021 - 15º lugar (52)

2022 - 7º lugar (69)

2023 - 3º lugar (89)

2024 - 6º lugar (72)


'Miguel transformou nossas vidas'


A escolha evidencia a preferência das famílias londrinenses por nomes clássicos, de fácil pronúncia e ampla aceitação nacional, revelando um equilíbrio entre tradição e tendências contemporâneas. Em ordem, Cecília, Helena, Miguel, Alice e Samuel completam o top 5 de nomes mais registrados em Londrina.


Amanda Bueno e seu esposo Wilson seguiram este padrão ao nomear seu primeiro filho, nascido em 1º de março do ano passado. “Miguel” figura na lista como o nome masculino mais visado pelos pais londrinenses em 2025 - com 92 registros -, escolhido pelo casal por simbolizar força e proteção.


Miguel é o primeiro filho de Amanda e Wilson, que escolheram o nome por simbolizar força e proteção - Foto: Arquivo pessoal

“Foi uma chegada que transformou completamente nossas vidas, sempre achei esse nome lindo e gosto muito de nomes curtos. Além disso, São Miguel Arcanjo é conhecido como o anjo guerreiro, aquele que protege, luta contra o mal e defende o bem. No momento de dúvida, entender esse significado trouxe a confirmação”, relembrou a mãe.


Se o casal tivesse tido uma filha, poderia ter se chamado Olivia ou Lia, o último em homenagem à mãe de Wilson, já falecida.


Bueno disse que “faz sentido” o nome do seu bebê ter tanta procura, contando que o casal busca encher a casa com um irmão ou irmã para o primogênito, que também fará companhia aos dois cachorros considerados parte da família. “Miguel representa proteção, fé e força, e talvez isso reflita um desejo coletivo dos pais de hoje: que seus filhos cresçam protegidos, com valores e propósito. É bonito saber que tantas famílias fizeram essa mesma escolha.”


‘Samuéis’ vêm ao mundo com amigos


Já Hariadine Campos e seu esposo Vinicius estão entre os 70 pais que optaram pelo segundo nome masculino no ranking municipal. A mãe contou que “Samuel” ganhou o seu coração durante a gestação, decidindo por ele após uma busca pelo significado. “Aparece de várias formas, ‘ouvido por Deus’, ‘Deus ouviu’, ‘pedido a Deus’, e isso traduz exatamente o que ele representa para nós: uma oração atendida, um presente confiado por Deus às nossas mãos”.


Antes de descobrir o sexo do bebê, os pais consideraram nomes femininos “que nos encantaram pela sonoridade suave e significado bonito”, como Valentina, Alice e Sophia, que foram opções comuns para os londrinenses em 2025.


Samuel, filho de Hariadine e Vinicius, nasceu no dia 28 de março de 2025: presente confiado por Deus  -| Foto: Arquivo Pessoal

Campos se surpreendeu positivamente ao saber que “famílias aqui pertinho” tiveram a mesma preferência que ela e Vinicius, brincando que elas têm “bom gosto para nome”.


“Eu já sentia o quanto o nome nos tocou profundamente, mas saber que tantas pessoas em Londrina também escolheram Samuel foi especial. Parece que muitos corações bateram no mesmo ritmo, seja pelo significado forte, pela sonoridade gostosa ou simplesmente porque o nome conquistou os pais. Dá até a sensação de que nossos Samuéis já chegam cheios de amigos e de histórias para viver juntos”, completou a mãe.


Novas tendências na Maternidade


Na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai, que oferta serviços de assistência à gestantes, puérperas e recém-nascidos desde 1992, o cenário de nomes clássicos se repete. Nos dez anos em que Maria José Magalhães trabalha como enfermeira na instituição, viu nomes “estrangeirados com muito Y e W” darem lugar a denominações mais simples.


“Sempre tinha as variações de Stephanies, e aos poucos foram simplificando. De menina, Helena e Alice dispararam, entre os meninos, Miguel apareceu bastante, muito Ravi e Gael. Hoje (terça) vai nascer um Ângelo, eventualmente nasceu uma Luciana, Isabel tem aparecido de novo. Mantém esses nomes predominantes, mas têm aparecido uns mais clássicos também”, pontuou a enfermeira. Disse ainda que a maior parte das Helenas vieram acompanhadas de um nome composto, como Maria e Vitória.


Maria José Magalhães é enfermeira na Maternidade Municipal há 10 anos e viu nomes "estrangeirados" darem lugar a denominações mais simples - Foto: Heloísa Gonçalves

‘Grafia complexa’

Magalhães informou que uma tendência dos pais é escolher nomes simples para os filhos, mas alterar a grafia comum para ter um diferencial estético, exemplificando os nomes Ytalo e Helenah.


A grande maioria das mães chega na Maternidade para dar à luz já sabendo o sexo do bebê, com o nome definido e enxoval personalizado. Em alguns casos, fazendo uso de sua experiência, a enfermeira aconselha mulheres a escolher diferentes grafias para os nomes de seus filhos, relembrando de quando uma recém-nascida passou de Achley para Ashley, como escrito no inglês.


De 1º de janeiro até terça (6), 18 pequenos londrinenses ganharam vida na instituição, sendo que em todo o ano passado, foram 2.028 nascimentos.


Maternidade Municipal registrou 2.028 nascimentos em 2025 - Foto: Heloísa Gonçalves

Ranking dos 10 mais comuns em Londrina

O ranking municipal destaca a presença expressiva de nomes femininos em 2025, como Aurora, Maitê, Antonella, Ísis, Luísa, Manuela, Liz, Laura, Maria Clara, Catarina, Lívia, Olívia, Heloísa, Júlia, Sofia, Sophia, Lara e Maria Alice.


Também apresenta nomes masculinos bíblicos e estrangeiros, como Davi, Noah, Ravi, Gael, Arthur, Pedro, Gabriel, Heitor, Rafael, Joaquim, Isaac, Bernardo, Benício, Matteo, José, Felipe, Vicente, Antonio, Francisco, Lucca, Theo, Emanuel, Henrique, Benjamin, Bento, Mateus e Anthony.


Confira o ranking dos 10 nomes mais registrados em Londrina em 2025:


1º Cecília – 121

2º Helena – 120

3º Miguel – 92

4º Alice - 71

5º Samuel – 70

6º Maitê – 67

7º Aurora – 64

8º Arthur – 63

9º Davi – 62

10º Noah – 60


Helena foi 1ª mulher nascida em Londrina


Entre 1950 e 1959, 15 mil novas Cecílias nasceram em todo o país, conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Somente na última década, nos anos 2010, o número ultrapassou este recorde, com um salto para 44 mil nascimentos.


Enquanto isso, as Helenas ocupavam, em 2015, a 45ª posição no ranking geral brasileiro e a 22ª em Londrina. Em 2017, passaram para a 21ª a nível nacional e para a 8ª localmente, e dois anos depois, para a 15ª e a 1ª em Londrina.


A designação vem ocupando o primeiro lugar no ranking feminino brasileiro desde 2020, à exceção de 2022, quando foi superada por Maria Alice. Nos últimos cinco anos em Londrina, Helena apareceu em primeiro lugar em 2020, 2023 e 2024 - em 2021, o nome mais comum foi Miguel, e em 2022, Alice.

A constância nesta década remonta aos primórdios de Londrina, quando Stephane Skiba deu à luz a Helena Ramalho, a primeira mulher nascida em berço londrinense, em agosto de 1933. Os pais da pioneira - na cidade e no nome - integraram a primeira caravana da Companhia de Terras Norte do Paraná, que desbravou a mata para fundar o município em 1934. Filha de poloneses, ela faleceu de câncer em 2011, aos 78 anos.


Na Região Metropolitana


Na Região Metropolitana de Londrina observa-se uma supremacia das Helenas em oito das 25 cidades constituintes. No ano passado, além da metrópole, o nome foi o mais registrado em Assaí, Ibiporã, Jataizinho, Primeiro de Maio, Rolândia, Sabáudia e Tamarana, ou empatou com outros com a mesma quantidade de registros.


Em seis cidades, incluindo Londrina, Cecília tomou o posto de primeiro lugar ou o divide com outros nomes, sendo Cambé, Jataizinho, Porecatu, Pitangueiras e Sertaneja. Confira a lista:


Alvorada do Sul - Ravi e Miguel (3)

Arapongas - Benício (20)

Assaí - Helena (4)

Bela Vista do Paraíso - Miguel e Maria Alice (4)

Cambé - Cecília (23)

Centenário do Sul - Arthur (3)

Florestópolis - Ravi (4)

Guaraci - José Antonio (2)

Ibiporã - Helena e Benício (12)

Jaguapitã - Ravi (5)

Jataizinho - Helena, Cecília, Arthur e Samuel (3)

Lupionópolis - Isis (3)

Miraselva - 13 nomes empatam no primeiro lugar

Pitangueiras - 40 nomes empatam no primeiro lugar

Porecatu - Cecília, Maria Helena e Antonella (2)

Prado Ferreira - Isaac (2)

Primeiro de Maio - Helena, Sophia, Miguel e José (3)

Rancho Alegre - 17 nomes empatam no primeiro lugar

Rolândia - Helena (17)

Sabáudia - Helena (5)

Sertaneja - 31 nomes empatam no primeiro lugar

Sertanópolis - Aurora (6)

Tamarana - Arthur e Helena (4)

Uraí - Isis, Ana Lívia, Clara, Maria Alice e Ravi Lucca (2)


Recortes regionais


Os dados trazidos no Portal da Transparência do Registro Civil, administrado pela Arpen-Brasil, reúnem informações sobre nascimentos, casamentos e óbitos registrados em todo o território nacional. A plataforma permite consultas por nomes simples ou compostos, com recortes por estados e municípios, oferecendo um panorama detalhado das tendências regionais.


No Brasil, foram 331.967.498 registros no total em 2025, sendo atestados 215.404.158 nascimentos, 53.213.277 casamentos e 63.350.063 óbitos. O ano marcou o nascimento de 144.641 paranaenses, o casório de 64.327 e a morte de 88.983.


Compondo os 15.244 registros em Londrina, estão os 6.959 lactentes, 3.736 recém-casados e 4.549 falecidos.


(Com Arpen-Brasil)

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