A crise econômica mundial trouxe à tona, toda fragilidade da estrutura que sustenta nosso atual sistema sócio-econômico. Tão importante quanto resolver os problemas atuais agravados por essa situação, é compreender exatamente o que deve ser feito para que no futuro, o sistema seja capaz de sobreviver.
O capitalismo necessita da circulação de dinheiro para seu equilíbrio e sustentabilidade. Porém, o entendimento é diferente: acúmulo, excessiva concentração e redução significativa de sua disponibilidade no mercado. Não apenas pela classe empresarial, pois no caso específico do Brasil, temos a "parada" do dinheiro no poder público (sob forma de tributação), que deveria devolve-lo, cumprindo suas funções sociais (que hoje parece ter se tornado obrigação das empreas, com a chamada "responsabilidade social") e que no entanto, acaba servindo apenas para custear a dispendiosa conta que é paga com recursos públicos, e infelizmente não consegue produzir a movimentação necessária ao desenvolvimento.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Nosso sistema acaba funcionando de maneira contrária aos seus próprios conceitos, pois ao impedirmos o fluxo financeiro, toda estrutura fica comprometida, num processo de entropia, um efeito cascata negativo. Sem dinheiro para geração de demanda, a produção precisa ser interrompida, ocorre o fechamento de postos de trabalho, o que reduz ainda mais a disponibilidade, que exige nova redução da produção, que gera novas demissões...
O nosso sistema, exige uma re-organização na distribuição de renda, não no sentido de amparo social, mas com objetivo de um desenvolvimento econômico real, fazendo com que o dinheiro assuma verdadeiramente o sentido de "capital", como um catalisador da demanda e da produção. Durante os últimos anos, esse conceito foi tratado pelo governo como "favor" às classes menos favorecidas, o que está errado, pois acaba prejudicando muito mais o sistema.
Ajudar essas classes, mais que uma "obrigação social", deve ser encarada como um importante passo para evoluirmos o atual modelo, num formato onde seja possível seu equilíbrio. A forma de auxílio, não deve estar em "doação" mas na preparação/capacitação das pessoas, tornando-as capazes de ocupar postos no mercado, tornando-as produtivas. Distribuição de renda, deve ser entendida como distribuição de "capital", não dinheiro, mas algo que possa produzir riqueza, que traga ao sistema o dinamismo e o equilíbrio entre a demanda e a produção.
É fundamental que todos os participantes do sistema, tenham oportunidade de mostrarem-se produtivos e consequentemente condições de conquistar sua posição sócio-econômica. Além de ser muito mais digno torna o sistema muito mais saudável. Membros produtivos geram demanda, o que exige produção e faz com que o sistema caminhe então para um processo de crescimento real.
O dinheiro não existe para ser simplesmente acumulado, ele deve ser investido de forma que traga ao sistema mecanismos de produção e crescimento, o que num segundo momento, acaba gerando o tão desejado lucro. Guardar o dinheiro apenas, além de não trazer lucro algum, ainda trás efeitos nocivos ao processo do capitalismo.
Numa análise de livre interpretação, dá até pra dizer que o socialismo idealizado por Karl Marx em sua obra "O Capital", poderia trazer ao capitalismo um equilíbrio que nunca foi alcançado antes. Para a manutenção de nossa sociedade e continuidade do mundo como conhecemos, muitas atitudes precisam ser adotadas ou alteradas, principalmente com relação ao meio ambiente e no relacionamento social.
Claro, que um pouco de seriedade por parte do governo, não seria nem um pouco ruim.