Lavar as mãos mais de 50 vezes ao dia, somente sair de casa após fechar todas as janelas e portas, no mínimo, duas vezes, ou arrumar simetricamente os objetos da sala, lado a lado, até que fiquem perfeitamente alinhados, parecem hábitos estranhos, mas são completamente corriqueiros aos portadores do TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo, distúrbio que ataca cerca de 2% da população brasileira, segundo a psiquiatra e membro da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Dra. Ana Hounie.
"A repetição desses hábitos é a maneira encontrada pelo portador para descarregar sua preocupação com algo, de modo a reproduzir inúmeras vezes o mesmo movimento", explica a especialista. A busca pela perfeição na execução das atividades, o medo de se contrair uma doença e a compulsão por arrumação e limpeza são os principais sintomas do TOC, que não tem cura e do qual muitos demoram, em média, 14 anos, segundo a médica, para buscar tratamento, por medo ou vergonha de demonstrar as manias adquiridas.
A depressão está fortemente associada aos casos do distúrbio, pelo fato de o indivíduo sentir grande embaraço com sua situação ao ponto de evitar sair de casa e dar início a um período de reclusão, seja no campo profissional ou pessoal. Portanto, é imprescindível que o portador do TOC entenda que não há razões para acanhamento, mas sim para a busca de um tratamento. "A ansiedade dos indivíduos com TOC eleva as chances dos sintomas negativos, como a tristeza, vergonha ou pavor excessivos. A depressão surge em meio a essa esfera, dificultando a vida já complexa dessas pessoas", relata a psiquiatra.
Convivência em família e tratamento
As pessoas com TOC não devem estar sozinhas, visto que a família desempenha fundamental importância no auxílio à identificação do distúrbio, já que são os primeiros a observar as manias do portador. O medo da morte, de acidentes e de contrair doenças modificará toda a rotina da família, e em casos extremos, afetará o relacionamento entre os familiares até que o indivíduo perceba que os exagerados hábitos repetitivos se tornaram doença.
Sofrimento para os adultos, o TOC também está presente em crianças, em cerca de 2% delas. Os sintomas são os mesmos, mas manifestam-se, em sua maioria, na compulsão por limpeza e arrumação de livros escolares por ordem alfabética e só cessam a tarefa quando se dão por satisfeitas, perdendo horas do dia. Os pais precisam ficar atentos aos primeiros indícios e ter o discernimento necessário para perceber quando a mania torna-se repetitiva e começa a afetar também a vida escolar do filho.
Embora não curável, o Transtorno pode ser tratado e controlado por meio de medicamentos reguladores das atividades dos neurotransmissores e também pela psicoterapia. Um tratamento deve estar atrelado ao outro e não ser interrompido, pois o distúrbio demanda atenção durante toda a vida.
Após a procura por tratamento especializado, é possível aos portadores do distúrbio prosseguir suas vidas com normalidade, com o mínimo possível de recaídas. A Dra. Ana Hounie salienta a importância do reconhecimento dos primeiros sintomas e a imediata busca por auxílio profissional garante uma melhor qualidade de vida aos portadores, transformando as excessivas manias em meros hábitos (com saudeempautaonline.com.br).