A pouco menos de três semanas para a chegada do inverno, as cidades mais frias, especialmente as do Sul do País, já sentem a diferença. O sol aparece timidamente, o ar fica mais seco e o vento gelado e os raios ultravioletas - ainda que em menor quantidade - também podem prejudicar a pele.
Estes fatores oferecem riscos e danos à pele, como o fotoenvelhecimento, as manchas e o câncer. De acordo com o cancerologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, Calixto Antonio Hakin Neto, mesmo durante o inverno, as pessoas devem utilizar filtro solar com o fator de proteção acima de 30 e evitar se expor ao sol entre 9 e 16 horas. "A grande exposição ao sol não é indicada, pois com a sensação do vento não se percebe que os raios solares estão sendo absorvidos e prejudicando a pele", esclarece o cancerologista.
Além disso, quando as temperaturas estão mais baixas, a pele fica mais sensível e clara. "O ideal é permanecer no máximo 20 minutos ao sol, para que esta absorção ajude, apenas, na parte óssea e na formação de cálcio, sem danos", destaca o médico.
A incidência de raios ultravioleta do tipo A é constante no ano todo e essa radiação promove reações nas células da pele e podem ocasionar o aparecimento de lesões pré-cancerosas. "O melanoma é o mais maligno dos tumores de pele e ocorre geralmente em pessoas entre 30 e 60 anos", ressalta o dermatologista Maurício Sato.
Em geral, é o câncer de pele que tem aparência de uma pinta escura, bordas irregulares, cores variadas e é assimétrico. "Logo, qualquer pinta que mudou de característica, como tamanho, cor e dificuldade de cicatrização, deve ser suspeita e avaliada por um dermatologista", orienta.
Já os cânceres de pele não-melanoma são considerados menos agressivos e de fácil tratamento, se diagnosticados precocemente. Os sintomas costumam ser pequenas saliências na pele ou nódulos e, geralmente, aparecem no rosto, tronco e extremidades do corpo. "O tipo de tratamento varia de acordo com o estágio de evolução do câncer. Em casos iniciais, o uso de crioterapia (spray de gelo), cauterizações e curetagens, terapia a base de luz ou até mesmo de pomadas específicas podem curar essas lesões. Para lesões maiores, o tratamento é a cirurgia", esclarece o dermatologista.
Cuidados com todo o corpo
Mas não é apenas o rosto que deve ser protegido durante o frio, com o protetor solar, outras partes do corpo, como por exemplo, as mãos, os lábios, a orelha, nuca, couro cabeludo e a ponta do nariz também são extremamente importantes. "Existem no mercado várias opções de protetores, além dos filtros solares, que podem ajudar a evitar a absorção dos raios solares, como batons, chapéus e cachecóis", orienta Hakin Neto.
O cancerologista ainda ressalta que a proteção é fundamental em todo o corpo, pois o melanoma pode ser desenvolvido em regiões que não são expostas ao sol, como por exemplo, a mucosa da boca. "É necessário ficarmos atento a qualquer lesão que tenha dificuldade de cicatrização".
Cuidados
Para ficar longe do perigo de câncer e ainda ficar com a pele bonita e protegida, o dermatologista Maurício Sato e o cancerologista Calixto Antonio Hakin Neto recomendam:
• Use filtro solar em todos os períodos do ano. No inverno, prefira uma fórmula que também seja hidratante
• Cuide-se aos tomar sol, principalmente no período das 9 às 16 horas;
• Evite banhos quentes prolongados, pois deixam a pele mais seca e descamada;
• Hidrate muito bem a pele após o banho. "A pele seca se torna mais sensível a agentes externos como sabão, tecidos sintéticos e lã e pode levar a uma alergia chamada dermatite de contato, gerando coceira e vermelhidão, principalmente nas pernas, e descamação da pele", esclarece o dermatologista Maurício;
• Prefira o inverno para começar tratamentos de pele como peelings ou que tenham ácido em sua composição, sempre com acompanhamento de um especialista e uso de protetor solar. Nesse período, a pele se recupera com mais facilidade;