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Imbróglio

Santa Casa de São Paulo pagou 5 mil vezes mais por remédio

Agência Estado
12 dez 2014 às 09:11

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Reprodução
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Com dívida de R$ 821 milhões e imersa em crise financeira, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo pode ter pago preço até 5 mil vezes superior ao de mercado por medicamentos. Segundo resultados preliminares de análise da BDO RCS Auditores Independentes, há também superfaturamento em contratos e incongruências na admissão de funcionários.

A auditoria feita para a Secretaria Estadual da Saúde foi apresentada nesta quinta-feira, 11, à direção da maior instituição filantrópica da América Latina. A reportagem apurou que as maiores falhas estão na compra de materiais e remédios e nos serviços de segurança, lavanderia e limpeza.

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Além do sobrepreço dos medicamentos, a auditoria verificou, por exemplo, que, no contrato de lavanderia, a Santa Casa deveria pagar R$ 1,98 por quilo de roupa. A empresa terceirizada cobrava, porém, R$ 3. O gasto excedente é de R$ 2,6 milhões por ano. No serviço de limpeza, os auditores apontaram que a entidade pagava pela contratação de 422 funcionários, mas apenas 360 trabalhavam.


A auditoria também verificou que a contratação de funcionários é superior ao aumento das atividades do hospital. O complexo tem 21 trabalhadores por leito, quando a média de outras unidades é de cinco.

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"Tem problemas em todos os contratos. Existem falhas de gestão em negociações de contratos que desfavoreceram a Santa Casa", disse o secretário estadual da Saúde, David Uip, após apresentar a auditoria. Ele afirmou que encaminharia ontem a análise para o Ministério Público Estadual (MPE) e para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). "O que cabe a mim é encaminhar. Avaliação, julgamento, decisão e eventuais punições cabem a quem de direito."


O superfaturamento em contratos já havia sido relatado por um ex-funcionário em depoimento ao MPE, conforme antecipado pelo Estado ontem. Ele apontou problemas no contrato da Santa Casa com a Logimed, responsável pela compra de materiais e remédios.

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A empresa informou que "repudia a afirmação de prática de superfaturamento" e "reafirma que sua operação cumpriu rigorosamente o escopo contratado pela Santa Casa". Disse também que, sobre o caso da dipirona, citado pela testemunha, há 43 tipos do remédio, cujos valores variam de R$ 0,25 a R$ 270,80. Para a Logimed, a variação de preços torna comparações indevidas.


Recuperação

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Superintendente da Santa Casa há dois meses, Irineu Massaia afirmou ontem que já tem um plano de recuperação que contempla renegociação das dívidas, corte de custos e revisão dos contratos. "Não é uma situação que vai se resolver do dia para a noite, mas acredito que seja possível pagar a dívida." Em relação às denúncias sobre os contratos, a Santa Casa afirmou, em nota, que não foi notificada pelas autoridades, mas que "tem todo o interesse em conhecer e se compromete a apurar irregularidades". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


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