O crescimento rápido e significativo do número de pacientes com diabetes no mundo colocou a doença entre as prioridades da Organização Mundial da Saúde. Os números do mais recente relatório da OMS chamaram atenção: desde 1980, a quantidade de pessoas com diabetes no mundo quadruplicou. São 422 milhões, contra 108 milhões em 1980. E, segundo as estimativas, provavelmente em 20 anos esse número duplicará.
O médico endocrinologista Walter Minicucci, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), lembra que os dados do Brasil acompanham essa tendência de crescimento. "A divulgação do relatório sobre o tema pela OMS ajuda chamar atenção para o assunto. Estamos assistindo a uma verdadeira explosão do diabetes. Seguindo esse ritmo, em poucas décadas chegaremos a 1 bilhão de casos, e o Brasil estará em uma das quatro primeiras posições", afirma o especialista.
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp.Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Segundo o médico, presidente do Departamento Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), fatores que influenciam no aumento do número de pacientes com diabetes no Brasil são obesidade, ganho de peso, sedentarismo e alimentação inadequada. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde, de 2014, indicaram que 52,5% dos brasileiros estão acima do peso, índice que, em 2006, era de 43%.
Com diagnóstico correto, tratamento e acompanhamento médico adequados, o risco de desenvolver outras complicações em decorrência do diabetes se reduz bastante. Por outro lado, a falta de cuidado faz da doença um problema bastante sério. No mundo todo, calcula-se que ela tenha causado 1,5 milhão de mortes em 2012, mas complicações relacionadas podem ter contribuído para a morte de mais de 2,2 milhões de pessoas.
"Diabetes é uma doença que, se não tratada, pode trazer complicações extremamente importantes. É a principal causa de amputação de membros inferiores, está entre as primeiras causas de cegueira, insuficiência renal, entre outros problemas", alerta Minicucci.
A responsabilidade é de todos
De acordo com Walter, o controle do diabetes é um tema que também passa por políticas públicas, já que o maior crescimento é do tipo 2 da doença, que pode ser prevenido.
"O caminho do combate ao diabetes sem dúvida também passa pelos governos, em diversos aspectos, nos níveis municipal, estadual e federal, seja com ações educativas, com mais ofertas de praças e locais de atividades físicas, ações de incentivo à prática de exercícios físicos, políticas para barateamento e incentivo da alimentação saudável, entre muitas outras ações", comenta.
Mas, individualmente, todos podem se prevenir, incorporando hábitos saudáveis para controle do nível de açúcar do sangue e combate à obesidade.
Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue. Pode ocorrer devido a problemas na produção ou na ação da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas. A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta de insulina, ou sua ação inadequada, resulta no acúmulo de glicose no sangue, ou hiperglicemia.
No caso do diabetes tipo 1, o pâncreas deixa de produzir insulina. É uma doença autoimune e geralmente aparece na infância ou adolescência. Seu surgimento não depende de dieta, sedentarismo ou algum fator claramente sabido. Deve ser tratada com insulina, dieta e atividades físicas. Menos de 10% dos diabéticos tem o diabetes tipo 1.
Mais frequente é o diabetes tipo 2, causado por uma resistência ou intolerância à glicose. Muitas vezes a produção de insulina é normal, mas não é usada de forma adequada pelo organismo e necessita de medicamentos ou até insulina para normalizar o controle glicêmico. Nestes casos, medidas de prevenção e mudanças de hábitos ajudam a prevenir e controlar o problema.
Quatro dicas para manter o controle glicêmico
• Praticar exercício físico com regularidade, principalmente aqueles com diabetes tipo 2 e obesidade. "A prática de exercícios ajuda a manter o peso, os níveis de colesterol e o nível de açúcar no sangue", explica Walter Minicucci.
• Manter alimentação saudável: alimentação equilibrada, com todos os nutrientes, colabora para o bom funcionamento do organismo. O ideal é ingerir todos os nutrientes de forma equilibrada: carboidratos para manter a energia; proteínas, que ajudam na construção dos tecidos. Frutas, verduras e grãos também são importantes. Cortar bebidas açucaradas e sucos de frutas integrais.
• Não fumar: diabetes e tabagismo não combinam. De acordo com o médico Walter Minicucci, o fumo, associado ao diabetes, eleva os riscos de problemas cardíacos e circulatórios, como por exemplo, o pé diabético.
• Controlar a obesidade: "aquela gordura abdominal é a mais perigosa, pois é um fator de deterioração do funcionamento do pâncreas, que é o órgão que produz insulina", explica Walter, membro da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).