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Salvo

Médicos resfriam bebê por 4 dias após cirurgia cardíaca

BBC Brasil
17 jun 2010 às 18:33

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BBC Brasil/Reprodução
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Um bebê de 16 semanas passou por duas cirurgias cardíacas e teve o corpo resfriado pelos médicos para que sua vida fosse salva depois de problemas pós-operatórios.

Finley Aaron Burton, de County Durham, norte da Inglaterra, passou 4 dias sedado e com a temperatura do corpo a cerca de 33ºC, enquanto se recuperava das complicações e tinha o ritmo do coração estabilizado por um marcapasso externo.

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Quando tinha apenas 10 semanas de idade, seus pais o levaram a um exame médico de rotina, preocupados porque ele não ganhava peso e parecia ter dificuldades para respirar.


No exame, o médico acreditou ter escutado um ruído estranho no coração do bebê e pediu exames mais específicos, entre eles um ultrassom cardíaco e um eletrocardiograma, que identificaram que Finley tinha dois buracos no coração.

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Mais tarde, também foi descoberto um estreitamento em uma das principais veias cardíacas.


Por conta disso, seu pulmão trabalhava mais do que o normal, deixando-o mais cansado com o esforço e dificultando sua alimentação.

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"Por causa dos buracos, muito sangue era enviado para seu pulmão", disse à BBC Brasil a enfermeira especializada em cirurgias cardíacas em crianças do Freeman Hospital, Paddy Walsh.


Cirurgias

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Em maio passado, Finley passou por duas cirurgias no Freeman Hospital, em Newcastle, para consertar os defeitos congênitos. Mas ao fim do procedimento, seu coração passou a bater a um ritmo muito mais rápido do que o normal, o que poderia causar sua morte.


Os médicos apelaram então para uma técnica normalmente usada na recuperação de pacientes de ataque cardíaco – o resfriamento do corpo, também conhecido como hipotermia terapêutica.

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A técnica é usada para evitar sequelas e permitir que o ritmo cardíaco se estabilize.


"Ela não apresenta riscos para a saúde", afirma Walsh. "Ela é usada para salvar a vida do bebê, que estava em risco por causa das complicações surgidas após a cirurgia."

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O bebê ainda estava sedado quando os médicos usaram um cobertor elétrico para resfriar seu corpo e mantê-lo a uma temperatura média de cerca de 33ºC (a temperatura normal de um bebê é de 37ºC).


A temperatura mínima que pode ser suportada pelo corpo humano nessas condições é de 32ºC.

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O procedimento retardou seu metabolismo e fez com que seu ritmo cardíaco diminuísse. Ao mesmo tempo, os cirurgiões o conectaram a um marcapasso para estabelecer um novo ritmo de batimentos.


Finley passou quatro dias sedado e resfriado, até que seus batimentos se estabilizaram. Em sua página no Facebook, os pais contam como, logo após a cirurgia, os médicos aos poucos aumentaram sua dose de alimentos.


Ao recobrar a consciência, contaram os pais, Finley passou a se alimentar com muito mais voracidade, ganhando peso rapidamente e distribuindo sorrisos, ainda no hospital.

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O bebê já está em casa, se recuperando plenamente. Os pais, Donna Link-Emery e Aaron Burton lançaram uma campanha para arrecadar fundos para o centro cardíaco do Freeman Hospital.


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