Corpo & Mente

Mastectomia preventiva é a melhor escolha?

30 jul 2013 às 14:53

A Mastectomia é o procedimento cirúrgico de retirada completa da mama e é indicado como parte de alguns tratamentos contra o câncer. Recentemente, a atriz Angelina Jolie nos contou em detalhes, através de um artigo divulgado pelo jornal norte americano The New York Times, que realizou a cirurgia como forma preventiva ao descobrir que possuía 87% de chances de desenvolver câncer de mama. O procedimento tornou-se bastante comentado e alertou a população sobre a importância da prevenção desse e de outros tipos de câncer.

A atriz constatou o fato após a realização de um exame que pesquisa a presença da mutação nos genes BRCA1 e BRCA2. Todos nós, homens e mulheres, possuímos esses genes que são responsáveis por reparar os danos na formação do ‘novo DNA’ durante o processo de divisão celular.


Homens e mulheres que possuem mutação nesses genes têm maior predisposição aos tumores de mama e ovário, principalmente, mas também de tuba uterina, endométrio, cólon, próstata e pâncreas. A mutação do gene BRCA1, especialmente, aumenta o risco para câncer de mama em 80%, enquanto na população sem mutação este risco é entre 10 e 12%.


O caso ocorrido com a atriz chegou a causar certo estado de pânico na população, principalmente feminina. No entanto, os casos de câncer familiar, determinados por esta mutação, são raros e acometem cerca de 10% da população. E, por isso, a indicação da pesquisa da mutação do BRCA1 e BRCA2 é somente para pacientes com história de câncer familiar, ou seja, família com histórico de várias mulheres com câncer de mama ou ovário e que tiveram o aparecimento precoce, no caso das mulheres, antes da menopausa. Vale ainda lembrar que os homens também podem ter a mutação caso possuam as mesmas características familiares.


Se descoberta mutação, e a cirurgia for a opção, esta decisão deve ser realizada em consenso entre médico e paciente e, infelizmente, ainda é a medida mais eficaz de tratamento preventivo, reduzindo em cerca de 95% o risco do desenvolvimento do câncer de mama, principalmente nos casos de mutação BRCA1.


É importante lembrar que a mastectomia é um procedimento mutilador da mulher e que a cirurgia é considerada preventiva se realizada em pacientes jovens, em torno dos 30 – 40 anos. Mulheres nessa faixa etária algumas vezes ainda não tiveram filhos, não amamentaram, e estão no auge da feminilidade, o que pode abalar muito a sua autoestima.


Dessa forma, caso optem pela realização do procedimento cirúrgico, este deve ser muito bem pensado.


Caso a escolha seja por não realizar a intervenção, elas devem ser acompanhadas de perto e frequentemente, com exames de imagem, como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética. Assim, há a possibilidade diagnóstica inicial no caso de aparecimento de qualquer alteração. Além disso, podem fazer o uso de uma medicação que bloqueia a ação dos hormônios femininos (estrógeno e progesterona) que podem funcionar como estimulante para o crescimento do tumor.


O que deve ficar claro é que esse procedimento não pode e nem deve ser feito por qualquer pessoa. Angelina fez o que era indicado para o caso dela, que tem um histórico de câncer de mama familiar.
Se considerarmos que 10% das mulheres têm chances de ter essa mutação, e dessa porcentagem muitas delas não desenvolverão a doença, não há motivo para pânico. E nem é preciso pensar em fazer o teste.


Tenhamos em mente o seguinte: Qual é a melhor prevenção para todas nós? Ir, ao menos uma vez ao ano, ao seu mastologista ou ginecologista. Os exames de triagem, como mamografia e ultrassom, são excelentes e conseguem captar um câncer logo no início, fornecendo grande chance de cura. E, caso haja necessidade, seu médico lhe indicará ou encaminhará para melhor avaliação.

* Cristiane Nimir é especialista em Anatomia Patológica


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