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Pesquisa aponta

Jejum prolongado pode desregular a fome

Agência Fapesp
14 jun 2014 às 12:24

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Dietas que alternam ciclos de jejum prolongado e de alimentação livre são capazes de prevenir o ganho excessivo de peso, mas também podem causar alterações metabólicas indesejáveis – como a desregulação dos mecanismos cerebrais de controle do apetite.

As conclusões são de um estudo feito com ratos no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), divulgadas em um artigo publicado recentemente na revista Endocrinology.

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A pesquisa foi realizada durante o doutorado de Bruno Chausse, no âmbito do Projeto Temático "Bioenergética, transporte iônico, balanço redox e metabolismo de DNA em mitocôndrias", coordenado pela professora Alicia Kowaltowski. Também está vinculada aos trabalhos do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.


"Estudos anteriores mostravam que os animais submetidos à dieta intermitente comiam, ao final, quase a mesma quantidade de comida que os ratos do grupo controle, pois compensavam a privação nos momentos em que o alimento estava disponível. Ainda assim, ganhavam menos peso. Queríamos entender, do ponto de vista metabólico, como isso ocorria", explicou Kowaltowski.

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Durante o experimento, que durou três semanas, os ratos com 8 semanas de vida – considerados adultos jovens – foram divididos em dois grandes grupos. Os animais submetidos à dieta intermitente alternavam períodos de 24 horas em jejum com períodos de 24 horas de alimentação livre. O grupo controle recebia ração à vontade todo o tempo e, após as três semanas, apresentou peso cerca de 11% maior.


"Mesmo com 50% menos tempo de acesso à comida, os animais da dieta intermitente ingeriam o equivalente a 80% da quantidade consumida pelos animais controle, o que indica a ocorrência de hiperfagia nos momentos em que o alimento estava disponível", contou Chausse.

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Além de monitorar a quantidade de comida ingerida, os pesquisadores também observaram o consumo de água e a produção de urina e de fezes. "Uma das possibilidades que precisávamos descartar era que o excesso alimentar não seria absorvido e acabaria eliminado pelas fezes. Mas não houve diferença no volume de dejetos, o que reforçou a teoria de que se tratava, de fato, de uma alteração metabólica", disse Chausse.


A próxima hipótese investigada pelo grupo era de que o menor ganho de peso estaria relacionado a uma espécie de curto-circuito nas mitocôndrias, que se tornariam menos eficientes para converter a energia dos alimentos em massa corporal.

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Mas, ao comparar o funcionamento das mitocôndrias de tecidos importantes, como o musculoesquelético, o grupo não observou diferença significativa na produção da molécula adenosina trifosfato (ATP), que armazena a energia, entre o grupo da dieta intermitente e o controle.


O passo seguinte foi comparar a atividade metabólica geral. Os ratos foram colocados em câmaras onde era possível medir o consumo de oxigênio e a produção de gás carbônico – exame conhecido como calorimetria indireta.

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"Vimos que, quando os animais da dieta intermitente estavam alimentados, ocorria um aumento das taxas metabólicas e eles passavam a gastar mais energia. Já nos dias de jejum, o organismo consumia muitos lipídeos, ou seja, eles queimavam mais gordura. Acreditamos que a associação desses dois fatores explica o menor ganho de peso", disse Chausse.


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