Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem, juntamente com a Unifesp/EPM, avaliou mais de 6 mil mulheres com idade acima de 40 anos atendidas na rede pública de São Paulo e constatou que mulheres com IMC (Índice de Massa Corporal) acima da normalidade têm menor chance de apresentar a densitometria óssea alterada, mas estão sob o mesmo risco de fratura que as mulheres magras e com IMC normal
Tradicionalmente, a obesidade tem sido considerada como fator de proteção para a osteoporose. Esse menor risco era explicado pela maior quantidade de hormônio feminino que mulheres obesas apresentam, bem como pelo estímulo crônico do próprio peso corporal sobre o esqueleto e pelo amortecimento do choque promovido pela camada de gordura (coxim) após a queda.
No entanto, mais recentemente, alguns estudos epidemiológicos internacionais têm mostrado que indivíduos com sobrepeso e obesidade também estão sob risco de fraturas por fragilidade óssea.
No Brasil, a reanálise dos dados epidemiológicos de mais de 6 mil mulheres acima de 40 anos de idade, atendidas em unidades básicas de saúde da área metropolitana de São Paulo, mostrou que a obesidade aumentou a chance de fraturas por queda da própria altura em mulheres com IMC acima de 30 kg/ m2, independente dos valores da densitometria óssea.
"Mulheres com IMC acima da normalidade têm menor chance de apresentar a densitometria óssea alterada, mas estão sob o mesmo risco de fratura que as mulheres magras e com IMC normal. Acreditamos, assim, que exista maior comprometimento da qualidade óssea das mulheres obesas", afirma o Dr. Marcelo M. Pinheiro, coordenador da pesquisa e também médico da Central de Laudos da Fundação IDI.
Pesquisa inédita comprova relação obesidade x osteoporose - Foram utilizados dados do estudo SAPOS – The São Paulo Osteoporosis Study para avaliar a relação entre o elevado IMC (Índice de Massa Corporal), osteoporose e fraturas por baixo impacto, bem como o desempenho da ferramenta SAPORI - São Paulo Osteoporosis Risk Index (software desenvolvido para o cálculo de predisposição em desenvolver doenças relacionadas à baixa densidade óssea), em cada categoria de IMC. Todas as 6.182 mulheres que participaram do estudo responderam questionário detalhado sobre os fatores clínicos de risco para osteoporose, fraturas por baixo impacto e realizaram exame de densitometria óssea da coluna lombar e fêmur proximal.
O índice de IMC, obtido pela divisão entre o peso e a altura ao quadrado, proposto pela Organização Mundial de Saúde, foi utilizado para se avaliar a prevalência dos fatores clínicos de risco, osteoporose e fraturas. Até 18,5 kg/ m2 (baixo peso), de 18,5 a 24,9 kg/ m2 (ideal), de 25 a 29,9 kg/ m2 (sobrepeso) e maior que 30 kg/ m2 (obesidade).
"Trata-se de um dos maiores estudos nacionais que avalia a relação entre obesidade e osteoporose. Esta pesquisa só reforça a necessidade de se investir cada vez mais na prevenção da osteoporose, incentivando um estilo de vida saudável e, principalmente, o controle do excesso de peso", comenta a reumatologista Vera Szejnfeld, médica responsável pela Central de Laudos da Fidi.
Resultados - Do total de 6.182 mulheres, a prevalência de sobrepeso (38,4%) e obesidade (29,6%) ultrapassou os 65%, sugerindo incremento de problemas de saúde relacionados ao excesso de peso observado na população adulta de São Paulo.
A média de idade foi de 60,7 anos com predominância de brancas (76,8%). Verificou-se que 7,7% das pacientes tinham diabetes mellitus, 10% eram tabagistas, 11,7% faziam uso de terapia hormonal, 28,5% praticavam atividade física, 15% estavam utilizando suplementos e cálcio e 92,1% encontravam-se na pós-menopausa.
História familiar de fratura de quadril em parentes de primeiro grau com mais de 50 anos foi referida por 12,2% das mulheres.
"Os resultados mostraram que as medidas corporais exercem impacto relevante sobre as medidas da densidade óssea em mulheres, mas não sobre a frequência de fraturas por baixo impacto, sugerindo que fatores independentes da densidade óssea possam estar implicados com a maior fragilidade óssea em indivíduos com maior IMC", conclui Dr. Marcelo.
Dicas de Prevenção
1. Evite quedas e acidentes domésticos. Pequenos acidentes em casa podem ocasionar fraturas sérias em pessoas que têm tendência ou já estão em processo de tratamento da osteoporose.
2. Evite o sedentarismo. Faça exercícios físicos. Principalmente as mais jovens.
3. Alimente-se corretamente. Tenha uma dieta equilibrada e rica em laticínios, peixe, vegetais verdes, legumes, frutas.
4. Tome sol no início da manhã ou no final da tarde por um período de 15 a 30 minutos.
5. Não fume! O cigarro acelera a perda de massa óssea.
6. Evite bebidas alcoólicas! A ingestão excessiva de álcool acelera a perda de massa óssea.
7. Se tiver predisposição, faça exames regulares. A partir dos 40 anos, é importante medir a massa óssea anualmente, por meio de exames de densitometria óssea. Confira se você apresenta fatores de risco com o SAPORI: www.unifesp.br/dmed/reumato/sapori
8. Na menopausa, converse com o ginecologista ou especialista em osteoporose sobre a necessidade de suplementação hormonal, cálcio e vitamina D.
9. Atenção com medicamentos de uso contínuo. O uso de medicamentos que estimulem o aparecimento de osteoporose, como corticoide, anticoagulantes, hormônio tireoideano, antiácidos, anticonvulsivantes, entre outros, podem requerer um tratamento preventivo contra a doença.
10. Amamente os filhos com leite materno. A ingestão de leite materno garantirá melhor massa óssea no futuro.