De acordo com um estudo divulgado recentemente por pesquisadores da Universidade Northwestern, em Chicago, nos Estados Unidos, ficar exposto a lâmpadas de halogênio metálico, ou seja, de maior durabilidade, e diante da tela do computador durante a noite, aumenta a sensação de forme e pode alterar o metabolismo. Portanto, manipular a quantidade dessa luz interfere diretamente na vontade de se alimentar.
Após algumas experiências, os pesquisadores descobriram uma técnica para alterar a quantidade de comida que uma pessoa vai ingerir. O método utiliza o uso da chamada luz azul, que é gerada por equipamentos, como monitores de computador, e pelas lâmpadas de consumo eficiente.
Durante a pesquisa, os estudiosos fizeram experiências com dez adultos saudáveis que mantinham uma rotina regular de sono e alimentação. Como parte do estudo, todos os voluntários receberam refeições ricas em carboidratos (isocalóricas) e, em seguida o grupo ficou exposto a uma luz fraca, de menos de 20 lux (o equivalente a uma lâmpada de rua), durante as 16 horas em que ficou acordado, e menos de 3 lux, durante oito horas de sono.
No terceiro dia de pesquisa, os participantes foram expostos durante três horas a uma luminosidade de 260 lux (equivalente à luz de um escritório), enriquecida com luz azul, durante 10,5 horas.
Após comparar os efeitos das duas condições, o estudo revelou que a exposição à luz azul elevou a sensação de fome dos voluntários. Aos 15 minutos de aumento da luz, os participantes manifestaram vontade de comer e, essa sensação permaneceu durante duas horas depois do jantar. Por meio do estudo também foi possível concluir que a exposição à luz azul reduziu o sono dos voluntários e, eventualmente, alguns registraram maior resistência à insulina.
Segundo a cor-autora da pesquisa, Ivy Cheung, da Universidade Northwestern em Chicago, foi interessante observar que uma exposição de apenas três horas à luz azul à noite teve um impacto significativo na fome e no metabolismo de glucose. Além disso, ela afirma que esses resultados são importantes, pois sugerem que a manipulação da luz no ambiente pode representar uma boa abordagem na maneira de influenciar o padrão de ingestão de alimentos e o metabolismo humano.
Os pesquisadores revelam que estudos futuros e mais profundos devem determinar o mecanismo de ação envolvido na associação entre exposição de luz, fome e metabolismo.
Estudos anteriores já haviam apontado outros beneficios ligados à exposição à luz azul. Segundo pesquisas do Hospital da Mulher, nos Estados Unidos, o contato durante a noite aumenta a concentração e o desempenho. Outros estudos mostram ainda que, a exposição à luz azul durante a manhã, ajuda adolescentes que dormiram pouco a lidar melhor com o estresse.
A descoberta foi apresentada no evento Sleep 2014, o 28º Encontro anual das Sociedades Profissionais Associadas ao Sono.