Dores de cabeça e nos músculos da face, travamento e estralos ao abrir a boca são sintomas conhecidos por milhões de pessoas. Isso porque é desta forma que se apresenta a disfunção da articulação temporomandibular, problema que acomete de 40% a 60% da população mundial e interfere no desenvolvimento de funções básicas e importantes, como a mastigação e a fala.
"As mulheres representam 80% dos casos de distúrbio de ATM, mas a causa da prevalência feminina ainda não está comprovada. A idade em que os sintomas se manifestam tem diminuído cada vez mais. Há alguns anos, o diagnóstico era feito entre 30 e 40 anos. Hoje, os pacientes já apresentam os sintomas aos 17 anos", alerta o cirurgião bucomaxilofacial da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Fábio Cozzolino.
A disfunção tem causas diversas; entre elas: mordida inadequada, traumas na região, lesão nos ligamentos, estresse físico e psicológico e maus hábitos, como apertamento de dentes e lábios, manter a mão na mandíbula e até roer as unhas. Além disso, é possível que alterações sistêmicas e morfológicas variadas sejam a origem do problema. Apenas uma visita ao profissional responsável conseguirá definir a causa e o tratamento adequado para cada caso.
Ao perceber os sintomas, é preciso procurar um especialista. "O cirurgião bucomaxilofacial vai pedir um exame de ressonância magnética para verificar se o grau da lesão da articulação é leve, moderado ou grave, avaliar a escala de dor do paciente e realizar um exame clínico. Com base nos resultados obtidos, o especialista indicará o tratamento adequado", explica.
Ainda de acordo com Cozzolino, o tratamento da disfunção da ATM pode ser realizado com medicação, fisioterapia e até cirurgia. "Na maioria dos casos, o uso de uma placa de mordida ao dormir, por seis meses ou um ano, associado a medicações, como ansiolíticos, relaxantes musculares e anti-inflamatórios resolve o problema. Em cerca de 3% dos casos, há a indicação para cirurgia", revela.
O procedimento cirúrgico pode ser 'aberto' ou 'fechado', dependendo da gravidade do caso. "Na cirurgia 'aberta', é preciso fazer um corte na face. Já na 'fechada', é realizado um procedimento minimamente invasivo, chamado artroscopia, em que não há cortes. São feitos apenas pequenos orifícios na região do maxilar para implantar equipamentos que vão remover a aderência de fibroses na articulação", esclarece.
"Na cirurgia 'aberta' há um grande risco de sequelas, paralisia facial, infecção e o tempo de recuperação é muito maior. O benefício do procedimento 'fechado' é a segurança, rápida recuperação do paciente e cicatrização. Apenas em 1% dos casos cirúrgicos há a indicação para o procedimento 'aberto'", completa o cirurgião.
Fique atento a alguns sintomas da disfunção:
(Com informações do Centro de Diagnóstico e Tratamento da ATM)