As reclamações de dores muito intensas das mulheres que sofrem de migrânea crônica, popularmente conhecida como enxaqueca crônica, têm fundamento. Estudos mostram que elas sentem três vezes mais a dor pulsante que os homens e, ao contrário do que se imagina, a disfunção é muito comum, chegando a afetar cerca de 20% das mulheres e 5 a 10% dos homens.
Pessoas que sofrem com este tipo da doença sentem pelo menos 15 dias de dor de cabeça a cada mês, com duração de mais de quatro horas por dia, por mais de três meses, o que provoca um impacto não só na qualidade de vida, mas na produtividade do paciente. Um dos grandes aliados para a prevenção da doença é o tratamento com botox (toxina botulínica A – toxina onabotulínica A) que reduz em 50% a frequência e a duração da dor de cabeça.
O medicamento bloqueia a liberação de neurotransmissores associados com a origem da dor. Para o médico Leandro Calia, neurologista do Albert Einstein, a ação inibe a sensibilização das fibras nervosas que conduzem à dor, o que diminui os sinais para o sistema nervoso central, reduzindo assim a frequência e intensidade das crises. "Os efeitos de botox no tratamento de migrânea crônica duram de 3 a 6 meses e, após este período, é preciso repetir o procedimento. Mas, para pacientes que sentem dor de cabeça intensa, este é um alívio muito grande porque permite recuperar a qualidade de vida e o prazer de vivenciar as atividades do dia a dia", complementa o médico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca é uma doença altamente incapacitante, sendo classificada no mesmo grau que a demência e a tetraplegia. A vida de pessoas que convivem com a doença é profundamente afetada, pois as impede de ter uma rotina normal tanto no trabalho quanto na vida pessoal. "A dor ocasiona não só ausências no trabalho. Durante as crises, o paciente não consegue realizar afazeres diários e, muitas vezes, se isola socialmente para suportar as dores.
Estudos indicam que 58% dos pacientes que sofrem com a doença tem redução de produtividade no trabalho, e cerca dos 30% têm depressão, ansiedade e/ou dor crônica, além de outros tipos de migrânea", comenta o médico.
Desafio para a Medicina
Existem mais de 150 tipos diferentes de dor de cabeça e a enxaqueca crônica ou migrânea crônica é uma delas. Muitas vezes confundida pelo paciente como uma dor de cabeça simples, acaba sendo subdiagnosticada e subtratada. Uma crise típica pode ser reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, podendo piorar com qualquer atividade física e tendo associação à náusea e vômito.
Apesar de mais frequente nas mulheres, homens também sofrem muito com a disfunção e acredita-se que a origem desta condição seja multifatorial. Para ajudar na prevenção, fatores de desencadeamento da dor - estímulos capazes de determinar o surgimento de uma crise de enxaqueca nos indivíduos predispostos - devem ser conhecidos pelos pacientes para que possam obter um melhor controle da doença. Confira os principais:
Sono - Alteração na rotina do sono (prolongado ou reduzido).
Alimentos e bebidas - Alto consumo de bebidas com cafeína, como chá e café, ou a privação da substância para quem consome grandes quantidades durante a semana e não repete a ingestão.
Consumo de determinados alimentos e bebidas (variam de pessoa para pessoa).
Jejum prolongado.
Hormônios - Alterações hormonais, como no período menstrual.
Estresse - Independente dos motivos causadores.
Ambiente externo - Exposição à luz, ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas.
Pressão atmosférica - Mudanças súbitas de pressão atmosféricas, como as provocadas por voos comerciais.