A biópsia é um procedimento comum na prática médica, mas ainda pouco entendido pela maioria dos pacientes. Por causa disso, uma parcela importante da população vê o exame com maus olhos e, quando este é solicitado pelo médico, pensa que tem alguma doença grave. Segundo o médico patologista Ricardo Artigiani, diretor da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), tal medo associado à biópsia acontece por desconhecimento.
"O procedimento é feito para a coleta de fragmentos de um determinado órgão ou tecido para análise por um médico patologista. Quando solicitada, a biópsia é parte importante do processo de investigação de uma doença, o que possibilita o diagnóstico e fornece informações que contribuem para a escolha do tratamento adequado", explica Artigiani.
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Para esclarecer o assunto, a Sociedade Brasileira de Patologia desmistifica cinco mitos mais recorrentes sobre o exame:
1) Fazer uma biópsia significa possibilidade de câncer? Não necessariamente. Grande parte dos pacientes fica assustada quando o médico pede esse tipo de exame, imaginando uma suspeita de câncer.
Entretanto, muitas outras doenças também podem ser diagnosticadas ou melhor investigadas através de biópsias, como a dermatite e outras doenças de pele. Esse procedimento é indicado sempre que há necessidade de esclarecimento.
2) A biópsia só é realizada com anestesia geral? Mito. A anestesia geral só é necessária quando a coleta de material é feita através de uma cirurgia. Na maioria dos casos, entretanto, a retirada de material para biópsia é simples. Assim, ela é feita por meio de procedimentos ambulatoriais e geralmente dentro do consultório médico.
3) A biópsia é sempre um exame dolorido? Isso é relativo. Depende do órgão a ser biopsiado. Em alguns casos, pode ser necessário anestesia local; em outros mais simples, quando não há dor, não é necessário.
4) A biópsia de medula óssea é perigosa? Não. Esse é um procedimento simples que é visto com terror por muitos pacientes. A obtenção de material da medula óssea apenas requer alguns cuidados que justificam sua realização em ambiente hospitalar, como assepsia. No entanto, não há riscos à saúde do paciente.
5) Somente a biópsia pode diagnosticar o tipo e dar prognóstico do câncer? Não, é necessário um conjunto de exames para o diagnóstico preciso. O exame histológico de uma amostra de tecido é parte da investigação clínica de uma doença.
A investigação completa inclui o exame clínico, além de exames de sangue, imagem e biópsias, sempre que houver necessidade para o esclarecimento diagnóstico.
O diretor da SBP ainda lembra que são as informações obtidas ao longo da investigação médica que permitem a elaboração de um diagnóstico preciso e a escolha do tratamento adequado.
"Por isso, o acompanhamento de um paciente é feito por médicos de diversas especialidades, entre eles o patologista, que não tem contato direto com o paciente, mas desempenha um papel fundamental no diagnóstico. A realização de exames como a biópsia e a integração entre esses especialistas é imprescindível", finaliza.