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E-books podem fazer mal à visão?

Redação Bonde
20 ago 2010 às 15:55

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Nos primeiros cinco meses de 2009, os e-books representavam 2,9% das vendas de livros. No mesmo período de 2010, eram 8,5%, segundo a Associação das Editoras Americanas, graças ao Kindle, da Amazon, e ao iPad, da Apple. Mas os brasileiros não ficam atrás, quando o assunto é a tecnologia. A Bienal do Livro de São Paulo de 2010 apresenta mais que títulos em papel. A feira sedia o lançamento do Mix Leitor-d, primeiro leitor eletrônico com tecnologia de software nacional.

Em ascensão nos últimos anos, o livro digital vem se tornado uma forma mais contemporânea de leitura, ainda que incipiente. O assunto mobiliza os leitores no mundo todo. Durante a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na cidade do Sul Fluminense, o assunto foi muito debatido.

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"O futuro do livro digital é certo, mesmo sem entrar no mérito se ele substituirá ou não, por completo, os livros tradicionais. Quando o preço médio do e-book for reduzido, o livro digital ficará mais popular, ocupando parte do mercado editorial em todo o mundo. Pode ser cansativo ler dessa forma, mas esse estilo de leitura vem crescendo muito, pois permite ao usuário do e-book ter acesso gratuito a obras internacionais que são célebres e fáceis de serem encontradas na Internet", diz o oftamologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.


Um livro também promove a acessibilidade quando facilita a leitura de quem tem problemas de visão, de vista cansada à completa cegueira. "Um livro de papel de qualidade e com letras grandes ajuda o primeiro grupo. Os livros digitais também fazem isto, mas vão além para atender o segundo grupo, os e-books oferecem um sistema de text-to-speech (conversão texto para áudio embutida), que lê todo o texto, como alguém que lê para uma pessoa cega o livro que ela deseja", destaca Centurion.

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Adaptação às novas tecnologias


O que preocupa os oftalmologistas em relação ao uso do livro digital são os tipos de iluminação de tela e o contraste das letras com o fundo do display. "Grande parte das queixas é similar ao uso do computador comum ou dos notebooks: vista cansada, desconforto com a luminosidade da tela e dores de cabeça após a leitura", diz o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO.

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Para amenizar os desconfortos e usufruir das novas tecnologias, algumas providências podem ser tomadas em relação aos cuidados com os olhos e com a postura corporal, durante leituras prolongadas. Se uma pessoa tem intolerância à iluminação específica da tela, talvez ela não consiga superar o problema apenas se adaptando a um novo hábito de leitura. "Em alguns casos, é preciso fazer o uso de óculos com lentes coloridas, que podem filtrar algumas tonalidades da luz do livro digital", explica o médico.


Outra reclamação habitual refere-se ao fundo cinza de uma das marcas comercializadas, que dificulta a obtenção do contraste com as letras. "Os leitores que apresentam um início de catarata, para os quais a visão em contraste é importante, apresentam mais dificuldades em lidar com o aparelho", diz Eduardo de Lucca.

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Geralmente, o público que lê e-books é mais jovem, "mas percebemos que algumas pessoas com mais de 40 anos ficam com a vista cansada. Para evitar a fadiga visual é preciso posicionar o livro digital abaixo da linha dos olhos e ler em ambientes com lâmpadas amarelas, mais próximas da luz natural", ensina o oftalmologista.


Outra medida preventiva no uso de e-books é uma pausa obrigatória na leitura. "Recomenda-se que, a cada 50 ou 60 minutos, o usuário do livro digital dê uma parada por cinco minutos. O leitor deve dirigir seu olhar para um local distante, através de uma janela, por exemplo. Assim a musculatura ocular também poderá trabalhar, evitando a fadiga dos olhos", informa o médico.


Após horas de leitura, o piscar reflexo diminui, sem que a pessoa perceba. "Quando você estiver fazendo uso dos livros digitais, coloque um lembrete, como, por exemplo, ‘piscar’ em algum cantinho do monitor. Assim você estará se policiando e piscando mais vezes, evitando o ‘olho seco’", recomenda Eduardo de Lucca. Em atividades normais, os olhos piscam, em média, 22 vezes por minuto, enquanto que, quando estão em atividade de leitura, piscam de 12 a 15 vezes por minuto.

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Os usuários de lentes de contato devem lubrificar mais vezes os olhos, quando em leitura continuada, para evitar problemas de ressecamento ocular. "Manter as lentes de contato limpas e higienizadas deve ser uma rotina. Quando bem indicadas e usadas de acordo com as orientações médicas, as lentes não apresentam complicações", explica o oftalmologista (com MW- Consultoria de Comunicação).


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