Corpo & Mente

Diabetes tipo 2 pode se tornar epidemia mundial

15 out 2014 às 17:43

O diabetes tipo 2 é uma epidemia mundial que atinge, muitas vezes de forma silenciosa, mais de 347 milhões de pessoas em todo o mundo. Considerando que o sobrepeso e obesidade, principalmente em pacientes que possuem depósito de gordura abdominal (obeso maligno), estão relacionados ao desenvolvimento do diabetes tipo 2, torna-se ainda mais preocupante saber que 35% dos adultos no mundo possuíam sobrepeso em 2008 e que a prevalência de obesidade quase dobrou entre 1980 e 2008, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A gordura localizada na região do abdome afeta negativamente a saúde, aumentando a inflamação nos órgãos e dificultando a ação da insulina. Esse tecido adiposo visceral diminui a quantidade de adiponectina no organismo, um hormônio essencial para promover o aumento da sensibilidade insulínica, absorção de glicose e efeitos anti-inflamatórios relacionados inclusive à diminuição da aterogênese e à proteção cardiovascular.


Este estado pró-inflamatório, além de aumentar a resistência à ação da insulina, provoca alterações no metabolismo de ácidos graxos e favorece ao desenvolvimento da Síndrome Metabólica com aumento da pressão arterial e da glicemia, aumento dos triglicérides e diminuição do HDL - colesterol associados ao aumento do risco cardiovascular e morte.


Segundo a Dra. Tarissa Zanata Petry, endocrinologista do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o tratamento do diabetes tipo 2 deve ser voltado ao tratamento das causas doença de acordo com a necessidade clínica de cada indivíduo.


Atualmente, existem muitas medicações para auxiliar no controle da glicemia, cada uma agindo em determinado "defeito" que juntos levam à hiperglicemia. Geralmente, o médico recorre à associação de diferentes medicamentos para promover o controle efetivo da doença. "Como o diabetes melito é uma doença progressiva, com o passar do tempo, o pâncreas vai sofrendo morte celular e deixa de suprir a demanda de produção de insulina. Em determinada fase, o paciente precisa recorrer a aplicações de insulina para atender às necessidades do organismo", afirma Dra. Tarissa.


O tratamento clínico, considerando as inovações terapêuticas, só permite o real controle da doença se o paciente adotar uma rotina mais saudável. "A associação entre o tratamento medicamentoso e a mudança do estilo de vida deve fazer parte da receita do médico, porque permite um controle maior da glicemia e retarda a progressão da doença", reforça a especialista.


A médica ressalta ainda que, além da mudança do estilo de vida e do tratamento clínico convencional, em alguns casos, a cirurgia metabólica está indicada para auxiliar o controle do diabetes tipo 2, mesmo em pacientes não obesos mórbidos.

Esse procedimento envolve, principalmente, a modificação do trânsito dos alimentos pelo tubo digestivo e a diminuição da resistência dos tecidos à ação da insulina, independentemente da perda de peso. Contudo, é importante que esse procedimento seja realizado de forma segura, por uma equipe qualificada e com o apoio de uma estrutura adequada, para minimizar os riscos.


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