O Câncer de Fígado é um dos tumores malignos mais comuns em todo o mundo, e sua mortalidade tem aumentado nos últimos anos. Segundo Rodrigo Surjan, cirurgião do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, o consumo excessivo de álcool pode dobrar o risco de uma pessoa desenvolver o câncer primário de fígado, o carcinoma hepatocelular.
"De fato, a principal causa deste tipo de câncer é o consumo de álcool, sendo responsável por até 45% dos casos. O álcool aumenta o risco de câncer de fígado tanto por ação direta de toxicidade nas células quanto por ação indireta, como resultado de cirrose causada pelo alcoolismo", explica.
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Existem dois tipos da doença: tumores malignos de origem primária no fígado e as metástases de tumores originados em outros órgãos. Quando o início da doença está no próprio órgão, 80% dos casos são de carcinoma hepatocelular e estão associados com a cirrose (causada por hepatites virais, alcoolismo, hepatite auto-imune), à esteatohepatite não alcoólica (doença hepática gordurosa) e outros fatores como consumo de amendoim (pela presença de contaminação por aflatoxina). As metástases hepáticas mais comuns são as secundárias a partir do câncer de intestino.
Diagnóstico
Um dos exames que detecta a doença, mesmo quando ainda não apresenta sintomas, é a ultrassonografia de abdômen, muito utilizada em check ups. Os exames de rotina são muito importantes para a identificação precoce e o início imediato do tratamento. "O desenvolvimento da doença pode gerar sintomas como perda de peso, perda de apetite, dor abdominal, náuseas, vômitos, amarelamento da pele, coceira na pele e indisposição. Por isso, são sinal de alerta para quem não está com o acompanhamento médico em dia", salienta o médico.
Tratamento
A quimioterapia, cirurgia para retirada do tumor e o transplante de fígado são as principais opções terapêuticas. "É essencial contar com o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, envolvendo hepatologistas, oncologistas, cirurgiões, nutrólogos e radiologistas, além de uma estrutura hospitalar com opção de abordagem minimamente invasiva", afirma Surjan e complementa: "Se levarmos em consideração os tipos primários mais comuns da doença somados, a sobrevida em cinco anos é de cerca de 18%. Entretanto, em pacientes com diagnóstico em fases iniciais, esta sobrevida pode subir para até 70% com tratamento adequado", finaliza o médico.