Comer em excesso. Ficar horas na frente de um computador. Jogar compulsivamente. Perder a noção do limite no consumo de bebidas alcoólicas e de outras drogas. É cada vez maior o número de pessoas com algum distúrbio que tem, em sua base, o comportamento compulsivo. Segundo o psicólogo Dionísio Banaszewski, que trata de problemas ligados principalmente à dependência química, a compulsão pode ser considerada o grande mal da contemporaneidade.
Um dos motivos do comportamento compulsivo que se alastra entre as pessoas, de acordo com o especialista, é a grande competitividade da sociedade atual. "A velocidade em que o mundo está andando faz com que as pessoas se envolvam em demasia com o mundo externo, perdendo muito da sua essência interior", salienta.
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"O compulsivo nunca está no presente: sempre está pensando nas coisas do passado ou sonhando com as do futuro. Desta forma, seu corpo fica desabitado, o que dá uma grande sensação de vazio que, na sua imaginação, é alimentado pelo objeto de sua compulsividade", explica o psicólogo, lembrando que, quanto mais mergulha na compulsão, maior dependência o indivíduo desenvolve.
Um exemplo típico é o número crescente de pessoas ‘vidradas’ no computador. "Já vi casos de pessoas que ficavam diuturnamente na frente de um computador, sem sair da cadeira nem para comer ou beber, em um comportamento visivelmente compulsivo", lembra o especialista. Outro comportamento comum é de dependentes simplesmente substituírem uma compulsão por outra: um dependente de drogas que começa a jogar compulsivamente para se manter longe das drogas, por exemplo. "Esses são os casos mais sujeitos a uma recaída, porque o comportamento continua doente", explica Dionísio Banaszewski.
Um caso emblemático lembrado pelo psicólogo é o de Theodor Dostoievski, escritor russo (1821-1881), que era jogador compulsivo e compreendeu seu problema quando escreveu o livro autobiográfico "O Jogador". No livro, o autor relata explicitamente o que acontecia com ele, enquanto ia questionando seu comportamento, que nem era visto como patologia na época. "A patologia da compulsão sempre existiu na humanidade, mas hoje ela está muito mais presente na vida das pessoas", comenta o psicólogo.
O especialista alerta ainda que, para cada tipo de compulsão e para cada pessoa, os caminhos para tratamento são diferentes. "Há pessoas que conseguem, como o escritor Dostoievski, se livrar sozinhas do problema. Outras precisam orientação e acompanhamento especializado. A psicologia, mesmo, pode facilitar o caminho da compreensão e do tratamento, mas sempre vai depender do caso específico de cada pessoa", conclui o especialista (com AW COMUNICAÇÃO).