Com boa parte do tempo destinada às brincadeiras, as crianças estão mais suscetíveis às quedas, o que favorece o aumento do número de acidentes envolvendo os dentes. "Bicicleta, skate, patins, esportes de contato são atividades que podem ocasionar traumas dentais", avisa a médica Constanza Odebrecht, professora da Faculdade de Odontologia de Joinville (Univille).
Outro período preocupante é a primeira infância, quando a criança tem de 10 a 24 meses e está aprendendo a andar. "O risco do trauma aumenta, pois o bebê ainda não tem coordenação motora suficiente e nem reflexo de proteção estabelecido", afirma Sandra Kalil Bussadori, professora da Universidade Nove de Julho (Uninove).
Por isso, a prevenção é importante. Cuidados simples podem evitar muitos acidentes. "Assim que os bebês começam a engatinhar, é recomendável não manter muitos móveis na casa, proteger quinas e gavetas, além de evitar meias e pisos molhados. Quando ficam mais crescidos é importante a supervisão de um adulto durante as brincadeiras; o cuidado com escadas, janelas e portões; e o uso de protetores bucais. É necessário ainda atenção aos fatores predisponentes aos traumatismos como alteração da oclusão, por exemplo", ensinou Sandra Bussadori.
Para que haja sucesso no tratamento do trauma é imprescindível que a busca ao auxílio odontológico seja feita imediatamente. A busca tardia resulta na maioria das vezes num procedimento menos conservador e até a perda do elemento afetado. Mesmo em casos de traumatismos mais leves a consulta e radiografia são necessários, pois no caso das crianças há a formação do dente permanente, que muitas vezes pode ser afetado. O controle periódico se faz imprescindível.
O que fazer no momento do trauma
Se apesar das precauções, o traumatismo ocorreu, deve-se avaliar a extensão do dano e manter a calma. "Caso haja cortes ou sangramento, coloque uma compressa de gaze ou pano limpo e pressione bastante para conte-lo. Havendo fratura dental, deve-se colocar os fragmentos em água ou soro fisiológico, pois muitas vezes eles poderão ser colados e procurar imediatamente um dentista", aconselhou Constanza.
No caso de perda total do dente, deve-se proceder da seguinte maneira:
• Manter a calma e fazer com que o acidentado morda uma gaze ou um pano limpo, com pressão para que se possa controlar o sangramento.
• Achar o dente.
• Pegar o dente somente pela coroa. Não tocar na raiz.
• Colocar o dente de volta no seu lugar (no alvéolo) na boca do acidentado. Observar que a parte côncava do dente é do lado de dentro da boca. Fazer morder uma gaze ou um pano limpo, para que o dente se mantenha na posição. Procurar imediatamente um dentista.
• Caso não seja possível colocar o dente em sua posição, deve-se mantê-lo em uma solução de soro fisiológico e procurar imediatamente um dentista. O resultado final de um re-implante depende muito do período que o dente fica fora do alvéolo e da conservação dele nesse período. O dente deverá ficar fora de seu alvéolo o menor tempo possível.
O dente permanente re-implantado deverá ser "fixado" pelo dentista em sua posição e ter o seu canal tratado; mesmo assim, com o decorrer do tempo, haverá uma diminuição do tamanho de sua raiz. O tempo médio da permanência de um dente re-implantado na boca é de um até cinco anos; muitas vezes, esse tempo é o necessário para que a oclusão (mordida) se defina e novas condutas possam ser tomadas.
No caso de dentes de leite, a colocação de volta no lugar não é indicada, pois a probabilidade de sucesso é mínima. Em dentes permanentes, o re-implante pode ser indicado.
Tratamento
O tratamento depende do grau do trauma. Algumas vezes somente um pequeno desgaste é necessário, em outras se faz necessário a restauração com resina, a colagem do próprio fragmento dental, o tratamento de canal etc.
No caso de não encontrar os fragmentos, o dente pode ser restaurado com perfeição utilizando-se resinas que oferecem diferentes níveis de translucidez, como Resina Opallis da empresa FGM produtos Odontológicos, de forma a reconstituir o dente de forma imperceptível. Principalmente em crianças e jovens que apresentam as bordas dos dentes anteriores muito translucidas, chegando a apresentar tons azulados.
É importante o acompanhamento do caso por períodos que variam de um a cinco anos para monitorar a vitalidade pulpar (necessidade de tratamento de canal) e ocorrência de reabsorção radicular.
Quando ocorre uma trinca de esmalte não há necessidade de tratamento, entretanto é importante o acompanhamento do dente para manutenção da vitalidade pulpar por um período mínimo de 12 meses.
Se houver fratura de esmalte, dependendo da extensão, o desgaste da margem incisal é suficiente. Em outros casos, uma restauração com resina pode estar indicada. Após a reconstrução da superfície de esmalte fraturado, deve ser feita uma avaliação cuidadosa da oclusão (mordida) e hábitos parafuncionais do paciente (como o ranger os dentes). (com Porta-Voz Comunicação Estratégica)