É até comum ouvir pais comentando que seus filhos são mais espertos do que eles mesmos. Eles disfarçam uma observação prepotente sobre seus filhos por trás de um comentário auto-depreciativo.
Mas um novo estudo, divulgado pela publicação científica Intelligence, traz novas provas de que, em muitos casos, isso pode realmente ser verdade.
Os pesquisadores – Peera Wongupparaj, Veena Kumari e Robin Morris, da Universidade Kings College, de Londres – não pediram para ninguém fazer o teste de QI, mas analisaram informações de 405 estudos anteriores. Ao todo, foram colhidos dados de testes de QI de mais de 200 mil participantes, feitos nos últimos 64 anos, em 48 países.
Focados em uma parte do teste de QI, o das Matrizes Progressivas de Raven, eles descobriram que, em média, a inteligência dos seres humanos aumentou o equivalente a 20 pontos desde 1950. Considerando que a pontuação média de um teste de QI é 100, esse é um aumento significativo.
Esses "ganhos de inteligência", porém, não foram distribuídos de maneira uniforme. Os índices de QI, em geral, aumentaram de forma mais rápida em países em desenvolvimento, com os maiores saltos acontecendo na China e na Índia.
Já no mundo desenvolvido, o crescimento do QI tem sido mais contido e variável – nos Estados Unidos, por exemplo, houve um aumento contínuo, mas no Reino Unido, houve um declínio.
Então, afinal, o que está acontecendo? "Há muitas teorias, mas nenhuma delas foi comprovada por enquanto", disse Robin Morris.
Uma explicação possível tem a ver com as mudanças na educação. Na maioria dos países desenvolvidos, mais pessoas estão ficando por um período mais longo na escola, e os métodos de ensino evoluíram – não se resumem simplesmente a memorizar nomes, datas e fatos. Parece razoável supor que a educação esteja treinando as pessoas a pensar mais.
Mas, na verdade, essa suposição ainda é confusa. Não existe relação clara entre o aumento dos índices de QI e a melhora no ensino das escolas americanas.
(Fonte: bbc)