Corpo & Mente

Asma ainda mata seis pessoas por dia no Brasil

26 abr 2012 às 12:56

O número de asmáticos no Brasil continua crescendo e este é um problema sério de saúde pública que poderia ser evitado com a adesão aos tratamentos pelos pacientes, inclusive do Sistema Único de Saúde (SUS). No dia mundial de da asma, que ocorre no dia 1 de maio, as novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para a asma reforçam o alerta para a população em geral sobre essa doença que pode ser muito bem tratada e controlada mas que ainda responsável por seis mortes diárias no Brasil.

Além disso, de acordo com o Ministério da Saúde em 2011 a asma foi responsável por 174.500 mil hospitalizações e, entre 2005 e 2009 a asma matou 11.576 pessoas. "Hoje não podemos aceitar que a asma continue matando tantas pessoas até mesmo porque temos bons tratamentos disponíveis na rede pública e há excelentes medicamentos que oferecem uma ótima qualidade de vida desde que sejam usados. Devemos conscientizar mais as pessoas para a importância do tratamento da asma, já que podemos mudar esse quadro", diz a pneumologista Márcia Menezes Pizzichini, coordenadora da Comissão de Asma Brônquica da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). "O grande desafio é a adesão ao tratamento, pois a asma não controlada onera muito os serviços de saúde e a família dos asmáticos. O custo para os atendimentos de emergência é muito alto, além de fazer com que pacientes faltem à escola e ao trabalho", diz a médica.


Avanço da asma


Um recente estudo, publicado na Revista de Saúde Pública, em abril de 2012, revela que número de asmáticos cresceu entre crianças de 0 a 9 anos e em adolescentes de 10 a 19 anos. A análise dos dados mostrou que, em três anos avaliados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a prevalência de asma em 1998 entre as crianças brasileiras foi de 7,7%; em 2003 foi de 8,1% e em 2008 chegou a 8,5%. O crescimento anual aconteceu nas regiões Sudeste e Norte (1,4%). Já entre os adolescentes, a prevalência da asma foi de 4,4% em 1998, 5% em 2003 e 5,5% em 2008. O aumento anual foi de 2,2%. No Nordeste, o índice foi ainda maior (3,5%). As hipóteses para explicar o avanço da doença foram o aumento do diagnóstico devido à a ampliação dos serviços de atenção básica e ao o crescimento do número de equipes de saúde da família e, na zona rural, à maior exposição a pesticidas e agrotóxicos.


Com as novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, que reiteram a importância do controle da asma em todos os pacientes com o objetivo de mudar o quadro da asma no Brasil, já que os custos diretos e indiretos são muito elevados e podem ser evitados com a devida abordagem médica e com tratamentos efetivos e disponíveis. "Até mesmo pacientes com asma leve podem ter uma crise aguda e isso ser fatal. Vale lembrar que asma não tem cura, mas a doença é totalmente tratável e quem segue rigorosamente as orientações com o uso de remédios adequados pode levar uma vida totalmente normal", diz a pneumologista Márcia Menezes Pizzichini.


O que é asma?


É uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que faz com que estas fiquem inchadas e com secreção. Em geral a asma inicia na infância, mas pode acontecer em qualquer idade. Fatores ambientais e genéticos são relacionados à doença.


A asma é uma doença que se caracteriza por sintomas recorrentes de falta de ar, chiado, tosse e aperto no peito. Os sintomas aparecem como consequência de inflamação nos brônquios, que ocorre em pessoas predispostas e expostas a fatores ambientais diversos. A asma pode ser leve, moderada ou grave e a obstrução ocorre principalmente na expiração (quando há eliminação do ar dos pulmões) e dificulta muito sua respiração. Uma característica da asma é que essa obstrução é reversível com tratamentos específicos com broncodilatadores, por exemplo. Essa inflamação leva a um desarranjo de vias aéreas causando uma obstrução permanente ao fluxo aéreo. Para a asma se manifestar, existem alguns ‘gatilhos’ que geram as crises, tais como mudança de temperatura, infecções, tabagismo, animais, antiinflamatórios entre outros. A pessoa com asma pode viver tempos sem crise desde que tenha o devido acompanhamento. Em geral os sintomas melhoram com medicamentos broncodilatadores, mas esses medicamentos não controlam a doença porque não melhoram a inflamação das vias aéreas. Atualmente existem medicamentos de uso contínuo, que melhoram a inflamação da asma e previnem as crises além de melhorar ou abolir os sintomas.


Essa doença é um problema de saúde pública que ocorre em todos os países, independentemente do nível de desenvolvimento. Porém, a maioria das mortes por asma ocorre em países em desenvolvimento. Para controlar a asma e reduzir o risco de complicações, é essencial assegurar tratamento adequado e regular para todos os pacientes. A asma pode ser controlada por meio de cuidados preventivos e medicamentos recomendados de acordo com características individuais de cada pessoa. O controle da asma permite que as pessoas tenham uma boa qualidade de vida, podendo desenvolver atividades físicas e profissionais sem limitações.


Sobre a SBPT

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) é uma associação médica sem fins lucrativos, de caráter científico, cultural e representativo, fundada em 1937. A SBPT é a associação representativa dos especialistas na área das doenças respiratórias, incluindo os pneumologistas e os cirurgiões torácicos, endoscopistas respiratórios e pneumopediatras. Suas metas são a difusão do conhecimento sobre as diversas enfermidades do aparelho respiratório, a atualização sobre a especialidade e a defesa profissional dos seus associados e tem como objetivo a melhora da saúde da população.


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