A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) acaba de aprovar uma nova alternativa para o tratamento da Síndrome da Bexiga Hiperativa. Além do uso neurológico e cosmético, a aplicação de BOTOX® (Toxina Botulínica Tipo A) é agora indicada na urologia para tratar a disfunção.
Diferente do que muitas pessoas pensam, ter vontade de urinar muitas vezes durante o dia e também à noite pode não ser normal. Se isso acontecer esporadicamente ou estiver ligado a uma maior ingestão de líquidos não há motivos para preocupação. Mas constantes repetições deste fato e a perda de urina podem indicar a Bexiga Hiperativa.
O problema consiste em uma alteração funcional da bexiga, que sofre contrações involuntárias, fazendo com que a pessoa sinta vontade urgente e repentina de urinar mesmo tendo pequenos volumes de urina na bexiga. Na prática, não se consegue comandá-la chegando inclusive a perder urina.
Qualidade de vida
Os sintomas da Bexiga Hiperativa incluem a urgência de urinar, um número acentuado de idas ao banheiro e noctúria, levando, em alguns casos, à incontinência urinária. A doença afeta principalmente a qualidade de vida, fazendo com que muitos pacientes se isolem com medo de que ocorra alguma perda de urina durante suas atividades diárias ou pela falta de um banheiro disponível.
De acordo com o estudo de Maria Helena Lopes e Rosângela Higa, da Unicamp, 40,9% dos pacientes com a disfunção sofrem com restrições sexuais; 15,2%, ocupacionais; 18,9%, domésticas e 33,5%, sociais. Em alguns casos a disfunção pode ainda levar à depressão e aumento o risco de queda entre idosos, que correm para ir ao banheiro.
No Brasil, segundo o estudo "Bexiga Hiperativa: Prevalência e Implicações no Brasil", publicado em 2006 na European Urology, estima-se que 18,9% da população (14% homem e 23,2%mulher) sofram com Bexiga Hiperativa. Mesmo sendo mais comum depois dos 45 anos e entre as mulheres, a afecção pode ocorrer em qualquer idade em homens e em crianças. "Com o aumento da expectativa de vida, hoje em dia é cada vez mais comum encontrarmos pessoas em idade ativa com o problema", comenta o Dr. José Carlos Truzzi, doutor em Urologia pela Unifesp e professor adjunto de urologia da Universidade Santo Amaro.
Apesar da alta prevalência, a Bexiga Hiperativa é uma doença pouco discutida, uma vez que a maioria das pessoas esconde o problema ou acha que ele está relacionado com o envelhecimento e, portanto, não procura orientação de um especialista. No entanto, os tratamentos atuais permitem que em média de 70% a 80% dos portadores obtenham melhora dos sintomas.