O nome é estranho e desconhecido, mas a doença é crônica. De característica hereditária, a fibrose cística, também chamada de mucoviscidose, causa o comprometimento de vários órgãos do corpo decorrente de um gene defeituoso transmitido dos pais ao feto, ainda durante a gestação. Por isso, a fim de provocar o debate sobre o tema, comemora-se, nesta data, 5 de setembro, o Dia Nacional de Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística.
Para que a criança adquira a doença é necessário o recebimento de dois genes defeituosos, tanto do pai, quanto da mãe. Se um casal transmitir apenas um gene com defeito, o bebê não desenvolverá a doença. Importante salientar que nenhum dos pais manifesta a doença, mas juntos podem transmiti-la. Por isso a importância em realizar testes genéticos antes da gravidez para auxiliar no planejamento familiar.
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São vários os órgãos do corpo que podem ser atingidos pela patologia, mas o sistema respiratório é o mais agredido. O muco, responsável pela defesa imunológica do organismo, por ser aquoso, mantém o revestimento de certos órgãos úmidos, impedindo o ressecamento e a infecção. Contudo, ao ser impactado pela fibrose cística, torna-se grosso e grudento, acumulando-se nos pulmões e bloqueando as passagens de ar, o que facilita o crescimento das bactérias e o início de sérias infecções nos pulmões, muitas vezes confundido com quadros de tosse crônica e pneumonia.
Outro sistema atingido é o digestivo, que ao ter os dutos bloqueados, dificulta que as enzimas digestivas produzidas no pâncreas alcancem o intestino, que passa a não mais absorver as gorduras e as proteínas inteiramente. Deste modo, os nutrientes deixam o corpo sem serem absorvidos, causando a desnutrição. Os órgãos sexuais também são prejudicados e as mulheres portadoras da doença têm mais dificuldade para engravidar porque o muco mais espesso dificulta a passagem dos espermatozóides. Já os homens são os mais impactados, visto que grande parte deles é estéril. Além desses órgãos, a fibrose cística também afeta o fígado, os intestinos e os seios paranasais (espaços preenchidos de ar localizados no interior dos ossos do crânio e face). Outro aspecto a ser considerado é que o gene anormal também torna o suor da pessoa mais salgado.
Além dos testes genéticos, realizados antes e durante a gestação, o exame imprescindível para identificação da doença após o nascimento da criança é o conhecido exame do pezinho. Entretanto, ele é obrigatório em poucos estados brasileiros, o que dificulta o diagnóstico. "A fibrose cística limita a vida respiratória, em especial, e o indivíduo começa a ter tosse, bronquite crônica e crises frequentes de pneumonia", alerta a Dra. Maria Helena Bussamra, pneumologista e membro da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). De acordo com a especialista, o exame de suor é decisivo para detectar a doença quando não identificada anteriormente. "O diagnóstico precoce é fundamental, por isso as pessoas precisam ficar alerta às manifestações repetidas de pneumonia e à perda de gordura nas fezes, causadas pelo não funcionamento do pâncreas".
Veja alguns conselhos para auxiliar no tratamento da doença:
- Alimentação saudável, rica em calorias sem restrição de gorduras;
- Complemento de enzimas pancreáticas para auxiliar a digestão;
- Restituição das vitaminas lipossolúveis A, D, E, K;
- Inalações diárias com soro fisiológico, broncodilatadores ou mucolíticos, conforme as características da secreção;
- Fisioterapia respiratória para facilitar a higiene dos pulmões e evitar infecções;
- E buscar ajuda médica sempre que necessário (com saudeempautaonline.com.br).