Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que a taxa média de mortalidade materna em todo o mundo seja de 400 casos a cada 100 mil partos, mas pode oscilar de um único caso por 100 mil nascimentos - em algumas nações européias - a até 2.100 ocorrências num país como Serra Leoa.
No Brasil, segundo a OMS, o índice é de 110 mortes maternas por 100 mil partos, ou seja, 4.100 mortes por ano. Acima de outros países da América Latina, como Argentina, Chile, Cuba, Costa Rica, México, Uruguai, Trinidad e Tobago e Venezuela.
Em visita ao Brasil, a médica espanhola Ana Pilar Betrán, representante do Departamento de Pesquisa e Saúde Reprodutiva da OMS, explica que as causas da mortalidade materna variam conforme o perfil epidemiológico e a infra-estrutura assistencial de cada país ou região. Na América Latina, entretanto, 80% das mortes de mães decorrem de fatores como hemorragias, eclampsia, sepse e aborto.
Neonatos
Ainda segundo Betrán, as mortes de bebês no período neonatal seguem padrões dramáticos no mundo todo e, anualmente, 4 milhões de crianças não chegam a completar seu primeiro mês de vida (média mundial de 30 mortes/1.000).
Enquanto na Europa morrem somente duas crianças a cada mil nascimentos, países como Libéria e Afeganistão registram índices de 60 mortes e, no Brasil, a marca é de 15 bebês mortos a cada mil nascimentos (51 mil/ano), também acima de outras nações latino-americanas.
Em todo o planeta, as principais causas de morte de neonatos são nascimentos de prematuros, asfixia e infecções diversas, como pneumonia, tétano, diarreia, além da sepse.
Mortes evitáveis
O mais lamentável, entretanto, é que todos esses números terríveis poderiam ser atenuados com medidas relativamente simples, como o acompanhamento pré-natal sério, a presença de profissionais capacitados e de um ambiente adequado no momento do parto. "A existência de sulfato de magnésio, ocitocina e antibióticos é indispensável para combater a eclampsia, hemorragias e infecções, respectivamente. O recurso da cesariana também deve estar disponível para casos de trabalhos de parto obstruídos ou demasiadamente prolongados, sofrimento fetal ou quando o feto se apresenta em posição que pode dificultar o parto normal", enumera a representante da OMS.