Londrina

Por que Londrina se chama "Pequena Londres"?

10 mar 2026 às 18:03

Se você desembarcar no Aeroporto Governador José Richa, será recebido por uma placa que diz: "Bem-vindo à Pequena Londres". A referência não é apenas um apelido carinhoso; é a base da identidade de uma cidade que nasceu de um projeto internacional.


A história começa em 1924, quando uma missão chefiada pelo escocês Lord Lovat (Simon Joseph Fraser) visitou o norte do Paraná. Impressionado com a fertilidade da "terra roxa" — que os imigrantes italianos chamavam de terra rossa (vermelha) — Lovat viu o potencial para a produção de algodão e café.


De volta à Inglaterra, ele fundou a Paraná Plantations Ltd. e, no Brasil, a sua subsidiária: a Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP). Foi esse grupo de ingleses que comprou mais de 500 mil alqueires do governo estadual para iniciar uma colonização planejada, vendendo lotes menores para atrair imigrantes de diversas nacionalidades.


De "Patrimônio Três Bocas" a Londrina


Originalmente, o núcleo onde a cidade começaria a crescer era chamado de Patrimônio Três Bocas. No entanto, em 1929, o Dr. João Domingues Sampaio, um dos primeiros diretores da Companhia de Terras, sugeriu a mudança do nome.


A ideia era prestar uma homenagem aos fundadores e à capital da Inglaterra, Londres, onde ficava a sede da empresa. O termo "Londrina" surgiu como um diminutivo carinhoso, significando literalmente "filha de Londres" ou "pequena Londres".


Além do nome, outros elementos reforçaram o apelido ao longo das décadas, em especial, o clima. No início da colonização, a densa mata atlântica e as condições geográficas da região favoreciam uma neblina matinal frequente, que lembrava aos pioneiros o famoso “fog” (nevoeiro) londrino.


Em seguida, vem a arquitetura. Para reforçar o marketing e a tradição, a cidade instalou em pontos estratégicos (como perto da Catedral e no calçadão) réplicas das icônicas cabines telefônicas vermelhas de Londres.


Do café à tecnologia


Se entre as décadas de 1940 e 1960 Londrina ficou conhecida como a "Capital Mundial do Café", hoje ela honra o apelido de Pequena Londres através de sua modernidade. A cidade ultrapassou a barreira dos 550 mil habitantes (Censo 2022) e se consolidou como um centro de serviços, educação e inovação, mantendo viva a memória dos pioneiros que, sob o comando de ingleses, desbravaram o sertão paranaense.


O "Marco Zero" de Londrina, onde o engenheiro Alexandre Razgulaeff fincou a primeira estaca em 21 de agosto de 1929, é hoje um dos pontos turísticos fundamentais. Fica na Avenida Theodoro Victorelli, 599, localizado exatamente em frente ao Boulevard Londrina Shopping.


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