O avanço da criminalidade virtual acendeu o sinal de alerta máximo no Paraná, estado que ocupa a terceira posição nacional em volume de estelionatos cibernéticos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que o território paranaense atinge a marca de 1.339 golpes a cada 100 mil habitantes, inserido em um cenário nacional onde ocorrem quatro crimes digitais por minuto.
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No mês de maio, operações das forças de segurança desmantelaram quadrilhas interestaduais que miravam correntistas e aplicavam chantagens emocionais refinadas, evidenciando o alto poder de destruição financeira e psicológica dessas redes.
Uma das ações mais contundentes do mês ocorreu no último dia 21 de maio, quando a Polícia Civil do Paraná, com o suporte estratégico do Ciberlab do Ministério da Justiça e Segurança Pública, deflagrou a Operação Love Hurts — sim, o nome da música cafona que todo mundo odeia amar.
A investigação desarticulou uma organização criminosa transnacional especializada em romance scam (golpe do amor) e sextortion (extorsão por meio de imagens íntimas), que movimentou mais de R$ 4 milhões em apenas dois meses. Os criminosos utilizavam perfis falsos nas redes sociais e telefones com códigos internacionais para seduzir as vítimas e, posteriormente, exigir quantias exorbitantes sob ameaças.
O Ministério da Justiça detalha que a estrutura criminosa se dividia em um núcleo operacional estrangeiro focado na abordagem afetiva e um núcleo financeiro brasileiro responsável pela lavagem de dinheiro.
Empresas globais de cibersegurança, como a Kaspersky e a Avast, apontam que o modus operandi desses golpistas migrou para o uso de inteligência artificial na criação de mensagens altamente persuasivas, eliminando erros gramaticais que antes denunciavam a fraude.
Para evitar cair nessas redes, a orientação é nunca compartilhar imagens íntimas ou dados financeiros com perfis não verificados e desconfiar de juras rápidas de afeto combinadas com pedidos urgentes de dinheiro. Caso o usuário seja vítima, a recomendação imediata hgé interromper qualquer comunicação, registrar capturas de tela de todas as conversas e chaves PIX utilizadas e encaminhar o material à Polícia Civil para a abertura de um Boletim de Ocorrência por extorsão qualificada.
Sequestro do aparelho
Outra modalidade de destaque em maio envolve o suporte técnico falso que resulta no sequestro completo do smartphone. Relatórios técnicos da McAfee e da Trend Micro alertam sobre o crescimento de táticas de engenharia social nas quais os criminosos ligam para os usuários fingindo trabalhar no setor de segurança de grandes instituições bancárias.
Com o pretexto de "atualizar o sistema" ou "bloquear uma transferência suspeita", os golpistas induzem a vítima a instalar um aplicativo de acesso remoto, como o AnyDesk ou TeamViewer, disfarçados em links recebidos por SMS ou e-mail.
A Anatel, por meio do seu movimento #FiqueEsperto, reforça que nenhuma instituição financeira solicita a instalação de aplicativos terceiros por telefone.
Se o golpe for consumado, além do isolamento de rede do aparelho, a vítima precisa realizar a restauração de fábrica do sistema operacional para garantir a eliminação de qualquer rastro do código invasor, além de alterar todas as senhas de e-mails e redes sociais associadas ao smartphone comprometido.