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Sem provocações

Com veto a memes, diretores de clubes da Série A debatem finanças

Folhapress
07 fev 2020 às 10:39

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Reprodução/Instagram
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Na reunião entre os responsáveis pela gestão e finanças das 20 equipes da elite do Campeonato Brasileiro, há uma condição expressa: é proibido qualquer comentário ou provocação sobre o que acontece dentro de campo entre os times.

A Associação Brasileira de Executivos de Finanças (ABEFF) é uma entidade nova, fundada em meados de 2018 a partir de uma iniciativa de dirigentes de Atlético-MG, Botafogo e São Paulo. Há duas mulheres que estiveram nos encontros no ano passado, Sandra Mara de Jesus, do Avaí, e Thays Moraes, do CSA.

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A ideia surgiu como um grupo de WhatsApp e ganhou corpo. Os representantes começaram a organizar encontros bimestrais há um ano, em meio à polarização de Flamengo e Palmeiras na liderança da arrecadação entre os clubes do país e ao surgimento de temas relacionados à política do esporte.


Exemplos disso são as discussões de leis que preveem incentivos para os clubes se transformarem em empresas e o empenho do governo federal para regulamentar o mercado de apostas online.

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Além do veto às provocações e aos memes, os dirigentes participantes também são orientados a manter em sigilo informações sobre resultados operacionais das agremiações e não expor publicamente as opiniões dos participantes.


Em uma das últimas reuniões, por exemplo, a pauta tinha 18 itens. O primeiro deles tratava da importância de constituir uma associação de clubes para explorar comercialmente todas as propriedades do futebol, sem qualquer envolvimento da CBF.

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A espécie de liga teria autonomia para negociar os direitos de transmissão internacional, o que a CBF não conseguiu em 2019, e também para fechar contratos coletivos com empresas de games, como EA Sports ou Konami, assim como ocorre na Premier League e na Bundesliga.


No segundo e terceiro itens da pauta, os 20 diretores discutiram como aprimorar os ganhos dos clubes com as cotas de TV, as imposições que deverão ser feitas nas próximas negociações com o Grupo Globo e o futuro das competições estaduais.

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Em 2019, a ABEFF nomeou uma diretoria e estabeleceu nove comissões para desenvolver temas como: clube-empresa; criação de um mecanismo de fair play financeiro para controle de gastos; contratos de TV; questões tributárias, contábeis e políticas para reduzir gastos (desde logística até pagamentos de luvas e premiações); novas receitas e tecnologia (apostas esportivas, marketing e venda de produtos esportivos).


"O foco é financeiro, mas temas relevantes de outras áreas são discutidos a partir do interesse conjunto de tornar a indústria do futebol mais forte, maximizando o resultado dos clubes", disse o presidente da ABEFF, Elias Barquete Albarello, diretor executivo de finanças do São Paulo.

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Além do são-paulino, a diretoria da ABEFF é composta por um vice-presidente, Giovane Zanardo, do Internacional, pelo primeiro-secretário, Cristiano Koehler, do Palmeiras, e pelo segundo secretário, João Paulo Silva, do Ceará.


"Esse grupo foi constituído com o objetivo de aprender com as experiências de todos os clubes. O Cruzeiro é um exemplo que agora vai sofrer muito com o alto endividamento e poucas receitas na Série B", disse Silva.

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A equipe mineira chegou a ter o maior faturamento do futebol brasileiro em 2015, com receitas totais de R$ 459 milhões (atualizados), à frente de Flamengo (R$ 449 milhões) e Palmeiras (R$ 444 milhões), segundo levantamento da Folha de S.Paulo utilizando balanços dos times brasileiros.


Os quatro rebaixados à Série B em 2019, Avaí, Chapecoense, Cruzeiro e CSA, ainda não foram removidos do grupo. De acordo com o presidente da ABEFF, as regras entraram em vigor no ano passado e já estabeleciam que os rebaixados permanecessem, pelo menos em 2020.

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No começo deste ano, os responsáveis pela gestão de Red Bull Bragantino, Atlético-GO, Coritiba e Sport, recém-promovidos à Série A, foram adicionados. Os executivos dessas oito equipes, porém, só poderão concorrer a cargos na associação se continuarem na elite do futebol brasileiro em 2021.


"A nossa preocupação é somente aprender com erros e acertos. Os clubes que hoje estão polarizando fizeram uma boa lição de casa, esse é o único caminho", disse o diretor de finanças e planejamento do Atlético-MG, Paulo Braz. Ele assegura que não tirou proveito da infelicidade do rival para usar qualquer ironia ou disparar memes no grupo.

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Os dirigentes já se encontraram em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. A primeira reunião deste ano, segundo Albarello, deverá acontecer em fevereiro, na cidade de Goiânia.


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