Londrina se torna o centro de uma imersão cultural entre esta sexta-feira (1º) e 10 de maio com a 6ª edição do Festival circulasons. Sob o tema "Escuta! Música e Ecologia Sonora", o evento propõe uma jornada pelas tradições de povos originários e paisagens acústicas da natureza.
A programação ocupa espaços como o Teatro Ouro Verde e o Sesc Cadeião com shows, oficinas e mostras radiofônicas, entre outras expressões culturais. Segundo a idealizadora e curadora Janete El Haouli, a proposta foca em "ouvidos pensantes", incentivando o público a romper hábitos automáticos de audição.
O palco do Ouro Verde recebe no dia 2 de maio a cantora Djuena Tikuna, que traz os cantos do Alto Solimões. Na sequência, dia 3, Marlui Miranda apresenta sua pesquisa de música indígena brasileira ao lado de instrumentistas renomados como Paulo Bellinati e Rodolfo Stroeter.
O encerramento do festival ocorre no dia 10 de maio com o pianista Fabio Caramuru. O concerto une obras clássicas de Tom Jobim a composições autorais do projeto EcoMúsica, celebrando a conexão direta entre a harmonia musical e os sons da fauna.
Educação e resistência cultural
Além das performances, o circulasons oferece oficinas formativas e a exposição fotográfica "Nhe’ẽ", com registros de artistas indígenas paranaenses. No Sesc Cadeião, a mostra "Memórias Silenciadas" convida à reflexão sobre apagamentos históricos em parceria com o Museu do Café.
As rodas de conversa abordam a resistência dos povos Kaingang e Guarani, além de discussões sobre saúde e percepção sensorial. A Rádio UEL FM também integra o circuito com a reapresentação do histórico "Programa de Índio", liderado por Ailton Krenak.
O festival consolida a parceria entre Janete El Haouli e o produtor Fabrício Polido, iniciada em 2022. A curadoria utiliza o conceito de ecologia sonora para transformar o som em um elemento de memória e resistência coletiva no ambiente urbano.
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