Os quadrinhos têm uma longa história de personagens absurdos, polêmicos e, em muitos casos, simplesmente deploráveis. Alguns foram criados com intenção provocadora e irônica. Outros são apenas o resultado de um tempo em que ninguém parava para perguntar: "espera, será que isso é uma boa ideia?" Separei sete que, por razões muito diferentes, constrangem até hoje.
Olhando para trás, fica fácil perceber que boa parte dessas criações não passou por nenhum filtro de bom senso — seja por racismo, misoginia, descuido ou simplesmente pela mentalidade da época. O lado positivo é que a audiência atual tem muito mais voz para barrar esse tipo de coisa antes que chegue às prateleiras.
1. Section 8 (DC Comics)
2. The Pro (Image Comics)
Mais uma cortesia de Garth Ennis. A premissa: uma profissional do sexo recebe superpoderes e decide usá-los para aumentar a clientela e sustentar o filho. A sátira era direcionada aos ícones da DC Comics — e o Superman analógico da história "sofreu" nas mãos dela de uma forma que dispensa maiores detalhes. Hilária para muitos, constrangedora para outros. Curiosidade: Hollywood está de olho nessa HQ há anos.
3. Egg Fu (DC Comics)
Criado em 1965, Egg Fu é um ovo gigante com bigode, sotaque e características que caricaturavam os asiáticos de forma que hoje seria impublicável. Surgiu em Wonder Woman #157 como vilão e concentrava em si todos os estereótipos ofensivos que os Estados Unidos construíram sobre o Oriente no pós-Segunda Guerra.
Sem braços, praticamente inútil em combate, e com um visual que envelheceu muito, muito mal.
Big Bertha (Marvel Comics)
Os Vingadores Centrais dos anos 1990 já seriam problemáticos pelos mais variados motivos, mas Big Bertha levou o descuido a outro nível. Em seu estado "normal", Ashley Crawford era modelo.
Ao ativar seus poderes, seu corpo ganhava centenas de quilos em massa — e para voltar ao estado original, ela vomitava. Os autores aparentemente não perceberam, ou não se importaram, com a associação direta à bulimia.
Snowflame (DC Comics)
O final dos anos 1980 foi marcado por campanhas antidrogas em todos os meios possíveis nos Estados Unidos — inclusive nos quadrinhos. A DC Comics resolveu contribuir com The New Guardians criando um vilão cujos superpoderes eram ativados pelo uso de cocaína.
A intenção era mostrar que drogas eram ruins. O efeito foi o oposto: Snowflame virou cult e acumulou fãs apaixonados pela internet muito depois de seu fim nas revistas.
7. Arisia (DC Comics)
Os anos 1990 foram generosos em transformar personagens femininas em objetos de desejo sem qualquer critério. Arisia, dos Lanternas Verdes, é o exemplo mais desconcertante: era adolescente quando usou seus próprios poderes para transformar seu corpo no de uma mulher adulta — especificamente para seduzir Hal Jordan, seu interesse romântico.
A DC publicou isso. Editores aprovaram. Ninguém parou para pensar no que estavam normalizando.