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Mudanças à vista

'A grande maioria dos cargos será renovada', diz nova reitora da UEL

Bruno Souza - Redação Bonde
09 abr 2026 às 19:02

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Foto: Bruno Souza
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A nova reitora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), eleita na noite desta quarta-feira (8), afirmou, em entrevista ao Portal Bonde, que a grande maioria dos cargos comissionados da universidade será renovada. De acordo com Andrea Name, a chapa "Nossa Casa UEL" foi eleita com foco na renovação, política que influenciará diretamente na distribuição dos cargos existentes.


O resultado da votação recorde foi divulgado pouco depois das 22h. De acordo com a Comissão Eleitoral, foram 12.285 votos, sendo 9.155 somente de estudantes, ou seja, 42% de todo o corpo estudantil. Professores e técnicos também marcaram presença. O quórum deste ano foi recorde, com 86% dos docentes (1.376) e 76% dos técnicos (1.667) participantes. Em 2022, a eleição que elegeu Marta Fávaro como reitora teve 9.939 eleitores. Neste ano, a chapa 1, de Name e Miguel Belinati - o vice-reitor eleito -, anotou 41,08 pontos contra 30,56 da chapa 2. Os vencedores obtiveram maioria entre os três grupos votantes. Vale ressaltar que professores, técnicos e alunos têm pesos diferentes na composição do resultado.

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Para Name, os "números expressivos" reforçam o desejo da comunidade acadêmica por novos rumos. Ela diz que essa promessa será levada a sério. “Dificilmente [algo será mantido]. Ganhamos com a campanha de renovação. É claro que, se algumas posições estiverem sendo desempenhadas muito bem, por que não continuar? Mas a grande maioria será renovada”.


Ela relaciona esse cenário ao desgaste de gestões anteriores. “Faz 12 anos que a UEL está com o mesmo grupo. Por isso, grande parte dos cargos indicados pela reitoria não mudou. Isso leva um desgaste para a universidade, porque são necessários novos olhares”.


A reitora eleita destaca que a "mudança" não se limita a nomes, mas também à forma de gestão. A proposta, segundo ela, é ampliar o diálogo e modernizar a universidade, mantendo o compromisso com o ensino público e gratuito.


“Acreditamos na universidade pública, gratuita, de qualidade e democrática. Temos objetivos de ouvir sempre as demandas para novos cursos e trazer inovação. Vamos focar na permanência estudantil”, afirma. “Mais do que isso, queremos que o nosso aluno entre, mas consiga permanecer e se formar, diminuindo cada vez mais o índice de evasão”, continua.


Corrida eleitoral


O vice-reitor eleito, Miguel Belinati, atribuiu a vitória a uma campanha próxima da comunidade acadêmica. Segundo ele, o contato direto com estudantes, professores e servidores foi determinante para o resultado positivo.


“Fizemos um trabalho intenso nos centros, em órgãos suplementares e de apoio. Visitamos o EAJ [Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos], Casa de Cultura e HU [Hospital Universitário]. Foi um trabalho muito intenso de diálogo e olho no olho”, diz.


Ele também ressalta que a chapa evitou negociações políticas durante o processo. “Não dialogamos com ninguém a respeito de cargo, posições e funções. O que nós nos comprometemos é ouvir os setores da universidade”.


Próximos passos


Entre as prioridades da nova gestão está o fortalecimento da relação da universidade com a cidade e a ampliação do protagonismo institucional. Para Name e Belinati, a administração será baseada em apostas em tecnologia, inovação e desburocratização.


“O foco é retomar o relacionamento com a sociedade e a cidade de Londrina e que ela seja um motor do movimento, que possa retomar esse protagonismo fundamental”, diz Belinati.


Outro ponto central será a valorização da vida estudantil. O vice-reitor salienta que o ato de "se sentir UEL" é muito importante para a permanência dos graduandos. “Muitas das nossas propostas vieram do diálogo com os estudantes. Inclusive, na questão do pertencimento, é importante que a universidade dê condições para que os estudantes possam desenvolver as suas atividades”.


Orçamento


A nova gestão terá como desafio a questão orçamentária e a relação com o governo estadual, especialmente em relação à LGU (Lei Geral das Universidades). Belinati aposta em um plano de revisão da lei em 2026, em negociações com o estado.


“Vamos dialogar com o governo do estado com relação à LGU. A lei prevê uma revisão em 2026, nós ainda não sabemos como será essa revisão, mas estamos esperançosos por ela”, afirma.


Andrea Name reconhece as dificuldades financeiras e estruturais da universidade. De acordo com ela, enquanto a negociação não sai do papel, a ideia é investir em planos estratégicos de administração para redesenhar as funcionalidades da UEL.


“Faremos um planejamento estratégico para saber como vamos sobreviver até sair essa articulação, porque essa conversa com o governo pode demorar anos. O número de funcionários está muito apertado. Está muito difícil, mesmo”.


Polêmicas na campanha


Márcia Dib, presidente da Comissão Eleitoral da UEL, argumenta que a corrida ao cargo mais importante da universidade foi inédita. Ela afirma que houve uma participação histórica de estudantes, que foi importante para o resultado.


"Os alunos quase não se envolviam. Neste ano, foi surpreendente. Mesmo sendo abaixo de 50%, foi um número significativo. Foi muito diferente, porque as chapas estavam mais engajadas com os estudantes."


A campanha eleitoral, entretanto, foi marcada por diversas polêmicas e episódios de tensão, com acusações pessoais contra candidatos e até mesmo denúncias de censura. De acordo com Dib, todo o processo foi saudável e esperado para eventos do tipo.


"Não vejo essa disputa como rivalidade, mas como uma disputa saudável entre uma chapa e outra para disputar uma posição dentro da universidade", explica. Para a reitora eleita, porém, os assuntos levantados durante o processo extrapolaram o debate acadêmico.


“Não concordo que tenha sido uma disputa saudável. Foi uma disputa cruel. Acho que nós tivemos uma violência política de gênero muito grande”, diz, emocionada.

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Ela ainda pontua que foi alvo direto de ataques durante o processo. Apesar disso, diz que o resultado nas urnas foi uma resposta da comunidade universitária. “Essas polêmicas que aconteceram durante a eleição foram tentativas de desqualificar a nossa chapa. Isso foi muito intenso nesta eleição. Foi uma rede de intrigas sem nada concreto. Isso foi muito violento, mas a resposta veio na urna.”

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