Tudo bem que o momento é mesmo de lançamentos importantes no mercado editorial brasileiros de quadrinhos, como Bela Assassina, O Nome do Jogo (do mestre veterano Will Eisner), o espanhol Estigmas, entre outros. Mas impossível mesmo é ignorar tantas reimpressões de histórias de qualidade, como Asilo Arkham, Ronin, Crise nas Infinitas Terras, entre outros. E, dentre tantos outros, um dos mais esperados é Arma X, que narra os fatos mais significantes da vida do baixinho invocado mais querido da arte sequencial.
A Panini Comics relança ainda neste mês, no Paraná, a verdadeira história por trás de Wolverine, o cativante personagem durão e teimoso do grupo de mutantes mais famoso do mundo, os X-Men. Essa é a oportunidade de publicar com dignidade, em formato americano e ótimo acabamento, um álbum que foi lançado em 1992 no chamado formatinho e com tratamento de cores e de papel um tanto ruim. Além disso, é a chance que os fãs mais recentes esperavam para saber realmente como o jovem policial canadense Logan tornou-se uma das mais mortíferas armas de combate vivas já vista na Terra, principalmente depois da versão cinematográfica, que nos dois filmes explorou bastante esse tema.
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Wolverine é mesmo um personagem bastante intrigante. Seu código de honra próprio, que o faz matar sem piedade seus inimigos e o obriga a proteger cegamente seus aliados, transforma o que seria o herói convencional num anti-herói um tanto sombrio. Ele é um caçador e um sobrevivente, acima de tudo, e utiliza seus dons mutantes - como seus sentidos superaguçados e seu fator de cura ultrarápido - e suas garras e ossos inquebráveis, de adamantium, para fazer o que é preciso e na hora que é necessário. ''Sou o melhor naquilo que faço, e o que faço não nada bonito de se ver'', é o que o baixinho não se cansa de dizer.
E, desde sua criação e primeira aparição, em 1974 - ele foi enviado pelo governo canadense para apartar uma briga entre Hulk e Wendigo na revista The Incredible Hulk #180 - Wolverine passou a ser o personagem favorito dos leitores de quadrinhos principalmente por causa de seu misterioso passado. Ninguém sabe ao certo sua idade, quem são seus verdadeiros pais, sua ligação com o arquirival Dentes-de-Sabre ou como conseguiu seu esqueleto de adamantium. Ou melhor, não sabia. Em Arma X, a Marvel Comics finalmente decidiu revelar como o canadense canalizou toda sua fúria animal até se tornar o mortífero agente do governo que o levou ao seu primeiro quebra contra o Hulk.
Tudo o que se sabia até então é que Wolverine foi acolhido pelo Professor Xavier nos X-Men quando o mesmo ainda fazia parte do projeto secreto canadense conhecido como Arma X. Após isso, ele passou grande parte de seu tempo no grupo buscando respostas sobre seu passado. E é aí que Arma X começa: a publicação traz à tona um Logan mais jovem, ainda sem as garras que o tornaram tão famoso. E, aos poucos, são revelados detalhes de como o mutante conseguiu, ou melhor, foi submetido à experimentos um tanto quanto imprudentes do governo canadense, em resposta à corrida armamentista dos Estados Unidos e da União Soviética, no início da Guerra Fria.
A história nem seria assim tão especial não fosse os bons argumentos e a impressionante arte de Barry Windsor Smith. O autor, que raramente contribui para projetos de super-heróis, não poupou esforços para contar com minúcias cada fase que levou o homem Logan a dar lugar ao animal Wolverine. E o que mais faz diferença está em sua narrativa e seus traços: as sequências de ação são dignas dos melhores filmes, com um fluidez incomum nos quadrinhos, e a arte-final sobre seus próprios esboços dão volume e a dinâmica necessária para o texto.
A série original, lançada em uma maxi-série de 12 partes nos Estados Unidos, em 1991, foi compilada em um pequeno livreto no Brasil em 1994. E agora, a história chega novamente em solo tupiniquim, ao preço de R$ 12,90, em 148 páginas. Como a distribuição da revista foi setorizada em setembro, para Rio e São Paulo, as outras praças devem receber o material só neste mês.
Música+Quadrinhos: David Bowie+Wolverine: Arma X