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A Magia volta às bancas brasileiras

25 jul 2002 às 09:16

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A Editora Opera Graphica relança a partir deste mês (julho) uma das histórias mais bem produzidas do selo Vertigo. Há 11 anos os leitores esperavam avidamente pela reimpressão nacional da mini-série Livros da Magia.

Muito antes do hype em torno do insosso Harry Potter, o jovem Timothy Hunter já carregava o fardo de ter o potencial para ser o maior mago da Terra em nossa época, com poderes equivalentes ao do lendário Merlin. Só que, antes que as forças malignas manipulem o garoto, quatro desmiolados são convocados para atuarem juntos e ensinarem a Hunter as várias faces do universo da magia.

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Para isso são chamados os bruxos modernos Vingador Fantasma, Doutor Oculto, Mister Io e John Constantine. A trupe logo foi apelidada pelo ácido Constatine (de Hellblazer) de A Brigada dos Encapotados, pelo fato de todos usarem sobretudos. O bacana é que cada um dos encapotados é muito poderoso e tem um jeito próprio de encarar o mundo e a magia. E de uma maneira misteriosa e interessante, mas nada convencional. Nas quatro edições alguns outros personagens da DC Comics também dão o ar da graça, como Doutor Destino, Espectro e Jason Blood.


O roteiro de Neil Gaiman (Sandman) é dividido em quatro partes, uma para cada encapotado, mas conserva a coesão da trama. O autor britânico fica à vontade para lidar com o que mais gosta - horror, magia e fantasia - e conseguiu conservar as características de cada personagem da DC Comics e do selo Vertigo. E foi além: deu novas perspectivas para Espectro e Dr. Destino (que estavam bastante apagados na época) e jogou o realismo fantástico para dentro de Tim Hunter. Aliás, a narrativa concentrada em Hunter é fantástica, pois o escritor consegue sugerir centenas de informações sobre magia e mitologia de forma minimalista, a partir da visão de um adolescente.

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A arte é um show à parte. John Bolton e Scott Hampton contam a história com traços mais realistas e suas pinturas, carregadas de referências expressionistas, conseguem levar o leitor a um mundo difícil de se imaginar. Já Charles Vess busca na art noveau as formas para construir o mundo da fantasia (bastante inspirada na fantasia medieval de Senhor dos anéis, com referências também a Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare - não é toa que o mesmo ilustrador produziu a versão de Gaiman para a peça de Shakespeare em Sandman). Por fim Paul Johnson leva Hunter à uma versão futurista do mundo em que vivemos, com traços caóticos e ilustrações com quebra de ângulos.


Ele é franzino, usa óculos "fundo de garrafa" pode ser o maior mago de nossa era e não é Harry Potter. Ele é Tim Hunter e está de volta, com capas produzidas especialmente para o relançamento tupiniquim. Ah, e nessa mini-série John Constatine protagoniza uma das melhores seqüências já produzidas nas HQs.

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Pois é, vou ter que comprar de novo.


Livros da Magia: Neil Gaiman; John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson. Edição Nacional pela editora Opera Graphica e nos EUA pela DC Comics/Vertigo. Série em quatro edições de 52 pgs a R$ 7,90.

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