Um resort de luxo no Norte Pioneiro do Paraná deixou o circuito turístico e entrou no radar do noticiário nacional após aparecer em reportagens que apontam ligações com a gestora Reag Investimentos, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, além de conexões indiretas com familiares do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli.
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O Tayayá Aqua Resort, em Ribeirão Claro, teve como sócios, entre 2021 e 2025, os irmãos do ministro – José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli –, o primo Mario Umberto Degani e o fundo Arleen, ligado à Reag Investimentos. Segundo apuração do Estadão, a gestora é investigada pela Polícia Federal por abrigar uma teia de fundos associados ao Banco Master e também por suspeitas de sonegação bilionária no setor de combustíveis.
De acordo com a Folha de S. Paulo, o fundo Arleen chegou a investir cerca de R$ 20 milhões em duas empresas de familiares do ministro responsáveis pelo empreendimento: a Tayayá Administração e Participações e a DGEP Empreendimentos. Ambas tinham sede registrada no mesmo endereço do resort, em Ribeirão Claro.
A entrada dos irmãos de Toffoli ocorreu em 2021, por meio da empresa Maridt Participações S.A., como revelou inicialmente o portal O Antagonista e confirmam documentos da Junta Comercial do Paraná citados pelo Estadão. À época, a participação dos irmãos foi avaliada em R$ 1,37 milhão na Tayayá Administração e em outros R$ 5,4 milhões na DGEP.
Ainda segundo o Estadão, em setembro de 2021, a Maridt vendeu parte de suas quotas ao fundo Arleen: R$ 618 mil na Tayayá Administração e R$ 2,54 milhões na DGEP, em operações realizadas no mesmo dia.
O primo do ministro, Mario Umberto Degani, fundador da Tayayá Administração, permaneceu como sócio até 2025. Conforme mostrou a Folha de S. Paulo, tanto ele quanto os irmãos de Toffoli deixaram formalmente a sociedade ao longo do ano passado, após a venda de suas participações.
Atualmente, o resort e as empresas associadas pertencem exclusivamente ao advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que adquiriu as quotas dos familiares do ministro e do fundo Arleen. Barbosa atua em causas tributárias em Goiás e já prestou serviços jurídicos à JBS, dos irmãos Wesley e Joesley Batista, informação revelada pela Folha de S.Paulo. Em nota ao jornal paulista, a JBS afirmou que o advogado atuou em ações no estado de Goiás, mas que a empresa não possui relação com os empreendimentos citados.
O fundo Arleen foi criado em 2021, com prazo de duração de 20 anos, e possuía apenas um cotista, outro fundo gerido pela Reag, conforme documentos entregues à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) obtidos pelo Estadão. Em novembro de 2025, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, uma assembleia decidiu pela liquidação do fundo.
Pareceres de auditoria enviados à CVM apontaram limitações na verificação dos ativos do Arleen, citando a ausência de documentos e preocupação com os desdobramentos da operação da PF.
FREQUENTADOR ASSÍDUO
Dias Toffoli é atualmente o relator, no STF, do inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master e fundos ligados à Reag. Ele assumiu o caso após acolher pedido da defesa de Daniel Vorcaro para que o processo tramitasse no Supremo. O ministro não tem participação societária no resort, mas frequenta o Tayayá há anos, como revelou a Folha de S. Paulo. Reportagens recentes indicam que ele chegou ao local em voos privados ligados a investigados da Operação Carbono Oculto.
Procurados pelas reportagens do Estadão e da Folha de S. Paulo, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos, o primo Mario Umberto Degani, Paulo Humberto Barbosa, o Tayayá Aqua Resort e representantes da Reag Investimentos não se manifestaram.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o Banco Master não tem envolvimento com supostas fraudes, fundos ilícitos ou operações irregulares e que as conexões apontadas nas reportagens não correspondem à realidade.
PEDIDO DE IMPEACHMENT
Um pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), foi protocolado nesta quarta-feira (14) por senadores no Senado Federal. A iniciativa é assinada por Magno Malta (PL-ES), Damares Alves (Republicanos-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE), que acusam o magistrado de crime de responsabilidade na condução do chamado “caso Banco Master”.
A denúncia foi encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. No documento, os parlamentares solicitam a abertura do processo de impeachment, a criação de uma comissão especial, a oitiva de testemunhas e a requisição de documentos ao STF (Supremo Tribunal Federal), ao BC (Banco Central), à PGR (Procuradoria-Geral da República), à CGU (Controladoria-Geral da União) e ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).