No limiar da virada do ano, a população londrinense aguarda uma definição do prefeito Tiago Amaral (PSD) em relação a um possível reajuste da tarifa do transporte coletivo, tradicionalmente concedido a partir do dia 1º de janeiro. A medida, que é impopular, é pressionada pelo reajuste dos salários e benefícios dos motoristas e outros trabalhadores do setor.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina, a indefinição ocorre devido à análise das planilhas de custos enviadas pelas concessionárias do serviço público. Já a assessoria de imprensa da CMTU afirma que reuniões são feitas para debater o transporte coletivo frequentemente – inclusive na manhã da última terça-feira (30), mas sem informações relevantes para serem divulgadas.
Embora haja essa indefinição, o reajuste dos motoristas e funcionários administrativos do serviço de transporte coletivo urbano de Londrina, que passam a valer na virada do ano, devem pressionar pelo aumento.
Segundo o presidente do Sinttrol (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina), José Faleiros, a categoria já aprovou em assembleia proposta de 4,4% de reajuste para os motoristas e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para os demais funcionários do setor, além de aumento de 19,34% do vale-alimentação para todos os trabalhadores, que sobe de R$ 754 para R$ 900.
A assessoria de imprensa da CMTU informou que não existe prazo legal para estabelecimento de reajustes, ou seja, um aumento pode ser anunciado mesmo após a virada do ano.
Embate técnico e social
A possibilidade de reajuste na tarifa do transporte coletivo de Londrina já havia voltado ao centro do debate em abril deste ano, diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo sistema. Atualmente fixada em R$ 5,75, o aumento chegou a ser tratado como inevitável pela equipe econômica da Prefeitura, que aponta um deficit superior a R$ 100 milhões no subsídio do transporte público municipal.
No dia 14 de abril, o secretário municipal de Planejamento e Orçamento, Marcos Rambalducci, afirmou que o aumento estava em estudo e poderia ocorrer em curto prazo. À época, ele destacou que o cenário financeiro se agravava com o passar do tempo e que não havia definição de data ou percentual para o reajuste, mas admitiu que a medida era considerada diante das limitações orçamentárias do município.
Porém, em 1º de maio – quando passaram a valer os novos valores das tarifas dos ônibus intermunicipais em todo o Paraná – o prefeito de Londrina, Tiago Amaral, descartou oficialmente qualquer aumento no transporte coletivo urbano da cidade.
Durante a entrega de novos ônibus para a frota municipal, garantiu a manutenção da tarifa e afirmou que a decisão buscava preservar o acesso da população ao transporte público e incentivar o uso do sistema. Segundo Amaral, mesmo diante das dificuldades financeiras, a prefeitura optou por manter o valor “como forma de respeito ao cidadão”.
O prefeito também afirmou que a gestão pretendia desenvolver estudos e ações para tornar o transporte coletivo mais atrativo aos londrinenses, reforçando que uma tarifa elevada seria incompatível com o objetivo de ampliar o número de usuários do sistema.