A CML (Câmara Municipal de Londrina) devolveu R$ 11,4 milhões aos cofres do município, valor referente a dotações orçamentárias não utilizadas ao longo de 2025. O montante foi anunciado em sessão na última sexta-feira (19), quando um “cheque” simbólico foi entregue ao prefeito Tiago Amaral (PSD).
Atendendo à imprensa, o presidente do Legislativo, vereador Emanoel (Republicanos), afirmou que a Câmara repassou, entre 2023 e 2025, pouco mais de R$ 30 milhões à Prefeitura. “Quero deixar claro que, para este ano, o orçamento a que a CML tinha direito era de R$ 89 milhões. Nós solicitamos R$ 59 milhões e estamos devolvendo R$ 11,4 milhões. Ou seja, utilizamos cerca de R$ 47 milhões”, destacou o vereador. Ele acrescentou que, para 2026, a Câmara abriu mão de R$ 4 milhões para atender a pasta de Assistência Social.
O prefeito afirmou que, apesar de Câmara e Prefeitura serem independentes, o objetivo é trabalhar pela população de Londrina. “Eu sei que, ao final de um ano bastante difícil para o Brasil inteiro, a Câmara fez um esforço muito grande para ajudar o orçamento da Prefeitura”, disse Tiago, adiantando que os recursos serão utilizados para fechar as contas de 2025.
Questionado pela FOLHA sobre a relação com o Executivo, Emanoel frisou que ela precisa ser harmônica, sem deixar de lado a fiscalização. “Temos que entender que o sucesso da cidade é o sucesso do povo, da população. As pautas são importantes, tanto as do Legislativo quanto as do Executivo.”
No plenário, apesar de um início de 2025 conturbado, com demora na definição da liderança do governo na CML, Tiago conseguiu emplacar seus projetos, dos mais polêmicos aos mais protocolares.
No primeiro semestre, por exemplo, um dos focos foi a alteração no Estatuto dos Servidores de Londrina para permitir que servidores cedidos ao município possam receber o salário de origem, do Estado, por exemplo, e uma gratificação de até 90% do valor da função municipal. Outra legislação relevante aprovada pela CML foi o programa Regulariza Londrina, que substituiu o Profis, associado à gestão do ex-prefeito Marcelo Belinati (PP).
Também gerou polêmica o protocolo de uma LOA (Lei Orçamentária Anual) considerada “provisória” pela própria administração, que reconheceu a necessidade de apresentar um substitutivo com mudanças. À época, em setembro, a Prefeitura apontou que ainda precisava compatibilizar despesas e receitas para 2026, o que ocorreu apenas em outubro. Ainda foi criado o fluxo para internação involuntária de usuários de drogas, outra pauta defendida pela gestão.
Nem sempre, porém, o Executivo teve tranquilidade na CML. A primeira “derrota” de Tiago no plenário foi a tentativa frustrada de aprovar a urgência do projeto que estabelece validade para os créditos do transporte coletivo. A discussão da matéria acabou ficando para 2026, com a sinalização de que precisará passar por mudanças. Mais recentemente, as alterações no plano de equacionamento da Caapsml (Caixa de Assistência, Aposentadoria e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina) enfrentaram resistência dos parlamentares, e o prefeito contou com a articulação do deputado federal Filipe Barros (PL) para garantir a aprovação do PL.
De olho em 2026, o presidente da Câmara avalia que é o momento de fortalecer o desenvolvimento da cidade, com atração de indústrias e desburocratização da máquina pública. “O prefeito está focado nisso, e nós aqui da CML também estamos. 2026 vai ser um ano de lutas, mas tenho certeza de que será um ano muito promissor”, concluiu.
RECESSO
Com o fim do ano legislativo, a Câmara entrou em recesso de final de ano durante o Natal e o réveillon, e retomará os trabalhos administrativos em 5 de janeiro para atendimento ao público e atividades internas, mas não haverá sessões deliberativas ou votações. A primeira sessão ordinária após o recesso está marcada para 3 de fevereiro de 2026.