O custeio do transporte coletivo de Londrina foi uma pedra no sapato do prefeito Tiago Amaral (PSD), que viu um déficit de mais de R$ 100 milhões no subsídio ao serviço. O custo total chega a R$ 305 milhões, dos quais R$ 128 milhões vêm dos bilhetes e R$ 177 milhões tiveram de sair dos cofres públicos. Mesmo com o desequilíbrio, a opção foi não alterar o valor pago pelo londrinense, que permanece em R$ 5,75 há dois anos.
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Mas, caminhando para os últimos dias do ano, a dúvida é como ficará a tarifa para 2026, em meio ao descompasso entre o custo do serviço e quando o município pode desembolsar. O orçamento do próximo ano aprovado pela CML (Câmara Municipal de Londrina) prevê cerca de R$ 118 milhões, valor bastante abaixo do pago em 2025.
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) chegou a contratar uma empresa de Curitiba para auditar as planilhas do transporte coletivo e auxiliar na definição da nova tarifa, mas a suspeita de fraude na dispensa de licitação, que contou com empresas do mesmo núcleo familiar participando, acabou cancelando o contrato.
Em entrevista concedida à FOLHA nesta sexta-feira (19), o prefeito ressaltou que ainda não está definido se haverá ou não aumento na passagem para 2026, mas garantiu que “não gosta” da ideia de elevar o valor.
“Eu tenho muita dificuldade para isso, até porque acho que tem um impacto muito grande, inclusive no volume de passageiros, que é um dos maiores gargalos do nosso sistema de transporte. O que eu puder fazer para evitar que isso seja transferido para o passageiro, para o usuário frequente, eu vou fazer”, diz Tiago.
“Se aumentar R$ 1 a tarifa, não chega a R$ 20 milhões a mais para a composição final das receitas. Em 2025, colocamos quase R$ 180 milhões em subsídio, então cairia para R$ 160 milhões. Não resolve o problema”, continua.
O prefeito lembrou que a tarifa técnica aumentou significativamente nos últimos dias da gestão do ex-prefeito Marcelo Belinati (PP). A “canetada” elevou o custo do bilhete para R$ 11,80 na área atendida pela TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina) e para R$ 10,20 na área operada pela LondriSul. Segundo a Prefeitura, isso gerou um rombo de R$ 100 milhões no orçamento de 2025, que previa apenas R$ 72 milhões em subsídio.
“Pagamos R$ 15 milhões por mês em subvenção. É urgente que a gente faça uma auditoria, porque hoje eu não posso dizer se está tudo absolutamente correto. Eu preciso de alguém independente para fazer isso”, ressaltou.
Tiago ainda frisou que o contrato com a empresa de auditoria, que está sendo investigado pela Polícia Civil, foi rompido por determinação da gestão e que não houve prejuízo financeiro, já que os valores pagos foram devolvidos.
“Não há um real em discussão em relação à contratação. O valor foi totalmente devolvido, por determinação nossa. O contrato foi rompido por decisão da gestão e, assim que entendemos que poderia ter havido algum tipo de interferência, não uma irregularidade, mas talvez uma falta de ética na composição do processo, determinamos a interrupção”, justifica o prefeito.
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