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Mesa virada

PMDB de SC troca Serra por Lula

Jornal do Brasil
23 set 2002 às 19:22

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A campanha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, sofreu mais um abalo na reta final. O PMDB de Santa Catarina, apesar da coligação nacional, decidiu romper com os tucanos. Mais: o presidente do partido no Estado, senador Casildo Maldaner, anunciou ontem o apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

A crise no PMDB catarinense foi fruto do primeiro ''super-sabadão'', movimento organizado pelo comitê de Serra para levar o candidato, em um único fim de semana, a várias cidades brasileiras. Em Santa Catarina, porém, a maratona causou choro e ranger de dentes. Além de Maldaner, o ex-prefeito de Joinville e candidato do PMDB ao governo, Luís Henrique da Silveira, e o senador Leonel Pavan não perdoaram a ida do candidato tucano a Chapecó, reduto eleitoral do governador - e candidato à reeleição - Esperidião Amin, do PPB. Serra tem o apoio de Amin no Estado. E não só foi à cidade do governador, como ainda o elogiou publicamente.

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"Não perdôo Serra. Vou continuar na campanha tucana só por questões partidárias", anunciou Luiz Henrique, contrariado.


O ex-prefeito, no entanto, comandou pessoalmente o boicote à presença do PMDB à visita de Serra a Joinville, durante o fim de semana. No reduto eleitoral de Luís Henrique, o presidenciável tucano foi recebido pelo candidato a vice de Amin, Eni Voltolini, do PPB, e pelo presidente do PSDB de Santa Catarina, Vicente Caropreso.

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De sua parte, o governador não cabia em si de satisfação. Ele lidera a disputa pela reeleição com 46%, mas tem perdido pontos nas pesquisas para Luís Henrique. O candidato do PMDB está com 29% das intenções de voto dos catarinenses, segundo a última pesquisa do Datafolha.


"Isso é traição explícita. O PMDB pegou o horário eleitoral do PSDB e agora está caindo fora", acusou Amin, em Joinville.

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Serra não perdeu a pose. Preferiu minimizar a briga local.


"Tenho dois apoios no estado. Mas não posso interferir na briga regional. O problema aqui é abundância e não falta de apoio. Por isso não pude deixar de visitar as cidades catarinenses", alegou o tucano.

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A candidata a vice, deputada Rita Camata (PMDB-ES), foi escalada para conter a crise. Não conseguiu, no entanto, impedir que Luís Henrique criticasse Serra publicamente, durante um comício em Tubarão.


"Se ele quer se abraçar aos que lamberam as botas dos generais, é problema dele. Não aceito isso", atacou Luís Henrique, revoltado, referindo-se à ligação de Amin com a ditadura militar (1964-85).

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Mais tarde, os peemedebistas tentaram minimizar o fato em nota oficial, assinada por Luís Henrique, Eduardo Pinho (candidato a vice) e Renato Vianna (secretário do partido), dizendo que o rompimento era ''manifestação individual do senador''.


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